Quem sou eu

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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

sábado, 24 de junho de 2017

DA SAGA DE SER EU




Sou emocionalmente dependente de inspiração

Se me falta lampejos de magia

Falta-me também o elã vital da poesia.

É como se me furtassem o ar

Que preciso para respirar

E eu preciso escrever

Para sobreviver.



Minha saga é ser assim

Escravo da liberdade

Que me algema e me liberta

E me eleva ao olimpo sem eu sair de mim.



Mas nada disso é segredo

Sou réu confesso

Porque não minto nem omito

A realidade de meu degredo.



Na prateleira das incertas certezas

Guardo meu dossiê

Acessível a quem me lê

São páginas e páginas.

De concretas abstrações

Diálogos, monólogos e solilóquios

Relatos sinceros de minhas emoções.



Quando viajo no vão de minhas ilusões

E me abrigo incólume no oásis de meus devaneios

Sou perfeito até nas minhas imperfeições

E te amo inteiro, sem vírgulas, reticências e receios.  

terça-feira, 20 de junho de 2017

POMAR DE LOUCURAS


Meu sonho é sanha insana
Vontade indomável
Misto de mistério e magia
Linda visagem vestida de poesia


Em meu doce pomar de loucuras
Sou vinhateiro seduzido
Pela deusa da beleza
E, embriagado de desejo, sou abduzido


Nesse pomar de deliciosas obscenidades
Frutas e flores se confundem em beleza e sabor
Uvas, pêssegos, jabuticabas, tangerinas, cerejas
Gabirobas, açaí, aqui e acolá e até a maçã amor


Oh, lindo pomar de doçuras!
- Afrodite de meu desassossego -
Sua beleza com cheiro de cio
Me enlouquece


Se um dia no jardim Eva foi vilã
Ao ceder à sedução do amor
Minha luta também será vã
Se eu não resistir a tentação do sabor


Imagino-a vestida de nada
Caminhando alheia no meio do pomar
Cabelos ao vento, tez iluminada
E a beleza dos gomos maduros a me provocar


Sob uma parreira com cachos pejados
Detém-se a deusa distraída sem me perceber
Não sabe ela que imaginação de poeta tem poder
E pode transportá-lo a qualquer local imaginado


Oh, lindo pomar de loucuras!
- Musa de meu desassossego -
Sua beleza com cheiro de cio
Me enlouquece


Enquanto ela alheia, alheia
Vai colhendo tenros cachos de doçura
Eu, alhures, vou fotografando com meus olhos
Sua nudez iluminada de candura.   

quarta-feira, 31 de maio de 2017

JANELA DA FOTOGRAFIA




A musa não imagina
O tamanho de minha alegria
Quando meus olhos flagram
Sua beleza iluminada de lua
No corpo da fotografia.

Soubesse ela a dimensão
De meu louco encantamento
Mais e mais vezes se mostraria
Seja vestida de sol, de lua, ou nua no pensamento.

O brilho do olhar
A delicadeza da tez
A boca cuidadosamente desenhada
Pintura de beleza que realidade se fez.

No jardim de meus pecados
Uma moldura de folhas da parreira
Não serve de barreira
Para separar o poeta da uva desejada.

Vencido pelo desejo e ilusão
Vou tocando a foto devagar
Acaricio com cautela a pele das folhas
Bem de leve, para Eva não se assustar.

Ajudado pelos deuses da mitologia
Pela janela da fotografia vou entrando
Não há mistério, só magia
E mais próximo do monte de Vênus vou ficando

De repente, como se fosse normal
Meu corpo atravessa inteiro a fotografia
Como se fosse o vão de uma janela abismal
Onde Eva musa sorri inocente exalando poesia.

Sem dizer palavra ela me pega pela mão
E sai a me mostrar o jardim e seu pomar
E eu, paralisado de êxtase e emoção
Nada digo e a sigo com o falo a latejar.     

quinta-feira, 25 de maio de 2017

SOBRE A DIFERENÇA ENTRE POESIA E POEMA


SOBRE A DIFERENÇA ENTRE POESIA E POEMA


No ofício da arte de escrever, às vezes, somos surpreendidos por questionamentos ou comentários inusitados. Comentários bons e comentários maus. Leia-se maldosos. Já fui surpreendido por comentários maus, sobre os quais não quero falar agora, mas hoje fui pego de surpresa por um questionamento bom, muito bom.
Ao ler o mais recente poema de minha autoria, RITUAL DE SEDUÇÃO, publicado no meu blog, uma amiga me perguntou: “Almáquio, quando é poema e quando é poesia”. De pronto compreendi que ela havia lido, anteriormente, outro poema de minha autoria, POESIA e POEMA, publicado recentemente no blog. A dúvida é pertinente, pensei. E resolvi respondê-la aqui, com este texto.
Para explicar vou usar alguns versos do poema POESIA e POEMA. Veja:

A poesia está posta naturalmente
Em todos os lugares
A preços populares
Mas o poema não.

Quando eu digo que “a poesia está posta naturalmente em todos os lugares” quero dizer que ela existe, de forma natural, sem que alguém a faça existir.
É o caso da beleza de uma paisagem. Ela é bela independentemente de alguma pessoa perceber, ela existe por si só. Isso é a poesia. Ela existe, é imaterial. Por isso que

No silêncio do casulo
Sem alegria, sem festa
A poesia, por si mesma, se manifesta.

Mas a poesia também é subjetiva, ou seja, o que é belo para um, pode não ser belo para outro.

Entretanto ela passaria invisível
Se nenhuma alma sensível
Percebesse que na dor da transformação
Acontece a magia da beleza em formação.

Além de subjetiva, minha amiga, poesia é sentimento e somente se manifesta nas almas sensíveis. Por isso a poeta Adélia Prado escreveu o belíssimo verso:

De vez em quando Deus me tira a poesia.
Olho pedra, vejo pedra mesmo.”

Veja que verso maravilhoso e verdadeiro. Tem pessoas que só veem pedra. Não há sensibilidade nelas. A vida dessas pessoas é pedreira e por isso são embrutecidas e ficarão cada dia mais embrutecidas, até terem seus corações (sentimentos) fossilizados. Por isso não choram, não sorriem, não se emocionam, não se encantam. Transformam-se em pedras.

Isso é poesia, minha querida. Este impactar-se diante das coisas.


Já o poema não está posto
De forma tão natural
Poema exige labor humano
E só acontece quando
O Poeta
Impactado pela magia da metamorfose
Transborda seu encantamento
E registra em versos
A emoção que o comove.

O texto formalizado, a estrofe, o verso, isso é o poema. É a parte concreta que exige o trabalho do poeta.
Não quero te confundir, mas saiba que existem versos que não tem poesia, assim que há poesia sem versos.
O encantamento diante de uma música, de um quadro pintado por um artista, diante de um gesto solidário, diate de uma cena qualquer como, por exemplo, uma flor nascendo no asfalto como poetizou Drummond, tudo isso tem poesia.
O poema é tão somente a percepção do poeta que capta a emoção e a materializa com palavras, com ou sem rimas, mas nunca sem magia.
Obrigado por sua pergunta e por ser minha leitora.

Almáquio Bastos, 25/05/2017


quarta-feira, 24 de maio de 2017

RITUAL DE SEDUÇÃO




Quem me dera ser vaga-lume

E vagar, ainda que devagar

Divagar por exóticas sendas

E a mando do amor brilhar.


Soubesse você que minha luz

É desejo aceso, é labaredas de vulcão

Saberia que meu luminescente brilho

É tão somente reflexos de tesão.


Sou poeta pirilampo que nunca se cansa

De cantar a fêmea beleza da Vênus da ilusão

E por isso o brilho que veloz avança

Em mágico e louco ritual de sedução.


Só de imaginar a formosura da flor

Banhada pela outonal luz de luar

E pensar as nuas pétalas lindas e orvalhadas

Lambidas pela brisa do mar…



Só de imaginar a escultura de rara beleza

Maravilhoso desenho em asas de borboleta

A pérola no entalhe, rico detalhe de realeza

Xilogravura de luz, metafórica flor em silhueta…


Só de imaginar a forma e o aroma impregnado

Na desejada caixa de Pandora livre alhures na escuridão

Meu sabre de luz (exclusividade da ordem Jedi)

Risca o negro véu para espantar a minha solidão.          

segunda-feira, 22 de maio de 2017

CALEIDOSCÓPIO DE ILUSÕES





Quando decido galopar
Em meu alazão de devaneios
Entrego-me por inteiro
Sem medos, sem receios.
 

No desvario de minha liberdade
Sou, antes de tudo, poderoso cavaleiro
Que cavalga no tropel da imaginação
Pelas sendas da criatividade.


A poesia me confere a honraria
De ser mais do que realmente sou
Lancelot de minha confraria
Minha espada deixa marcas por onde vou.


No caleidoscópio de minhas ilusões
A luz do sol reflete o brilho da magia
Ser ou não ser é o cerne das questões
Quando se vive no reino da fantasia.


Sendo eu assim, poeta chinfrim
Que deseja ser grande cavaleiro
Melhor admitir bravura de alfenim
Que arvorar bravura de guerreiro.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

DIÁLOGO ÍNTIMO



Às vezes me pergunto se sou feliz
Mas antes que eu me responda
O sol invade a janela de meus pensamentos
E esparrama réstias de luz
Nos cantinhos escuros dos sentimentos.

Do nada
Sinto uma brisa furar o cerco da
Cortina entreaberta
E acariciar meu rosto com suavidade feminina.

Enternecido,
Mas ainda confuso,
Lembro-me da beleza alegre de seu sorriso e me derreto.

Subtamente minto
Sobre a ternura que sinto.
Mas a leveza é tamanha
Que esqueço a pergunta
Que a mim mesmo, diversas vezes, fiz.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

FREUD EXPLICA





Quando uma mulher vai escolher
Uma calcinha na gaveta
E demora mais tempo que o habitual,
Certamente,
Está na iminência de algum evento especial.
A demora na escolha da lingerie
Revela o nível da expectativa
Capaz de fazê-la sorrir.

A preocupação com o detalhe da renda,
Da cor e textura
Tem fetiche e alquimia com sabor de travessura.

Freud não explicaria
Se a psicanálise não singrasse
No universo da alma feminina,
Águas de misteriosas de mágicas fantasias.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

RECADINHO PARA MINHA FLOR





Preciso de ti

Não pelo que eu possa oferecer

(Muito pelo contrário)

Preciso de ti

Pelo que eu possa receber.



Sou pássaro pequenino

Meu trabalho é beijar, beijar e beijar

A cada pouso na flor - meu oficio traquino -

Cumpro a missão de polinizar.



Preciso de ti e de tua deliciosa seiva

Bálsamo de minha alegre sustentação

Teu sabor e delicada beleza

É inesgotável fonte de inspiração.



Soubesse eu fazer outra coisa

Ainda assim de ti não desistiria

Triste é o beija flor que não tem flor

De tédio, certamente, morreria.