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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

domingo, 1 de outubro de 2017

ELÃ VITAL



O que move meu canto

São os mistérios do encanto.


Quando escrevo

Quebro meus grilhões de escravo

Porque é na façanha da escrita

Que a alma do poeta grita.


Para escrever eu preciso colher

E é nas belezas e suas sutilezas

Que colho a matéria prima

Para o ofício poético acontecer.


Sou dependente da arte de contemplar

E ainda que olhe alhures

Desfruto, à distância, do enleio de imaginar.


Por isso esse prazer

Cotidiano em revisitar

O mundo sem limites

Existente em meu quintal.


Por isso, também, volto incansavelmente

Ao meu doce pomar de loucuras

Ávido para colher o sumo dulcíssimo

Que brota das entranhas das frutas maduras.


E no mesmo febril desejo

Vou todas as manhãs ao meu jardim de delicadezas

Para colher, com os olhos, lampejos de belezas.


É ali, nessas manhãs primaveris

Que lindas orquídeas despudoradas

Exibem para mim,

Suas lindas pétalas orvalhadas.


E como, às vezes, o verso nasce do reverso

Eu me entrego com apego

Sem medo de me perder.


Minha saga não é às cegas,

Sou caçador de emoção.

Quando viajo voo e ajo

Nas asas da imaginação.


Creio que liberdade não tem idade

Se o coração for sincero

E a poesia, ainda que mito, for verdade.


Não há cabresto para magia

Quando o assunto é fantasia.



Foto: orquídea do meu jardim, fotografada por mim. 
Ap. de Gyn, Madrugada da primavera de 2017
02:47


terça-feira, 26 de setembro de 2017

CRIA ATIVIDADE (Jeito Onã de ser)





Tenho em mente

Que minto quando omito

Tudo o que sinto

No momento em perco

meus pensamentos em ti



Na imaginação faço a festa

E se me falta a fala

É no falo que a saudade

Se manifesta.



Ilustração

http://www.interculturalnews.com.br/2016/07/qual-e-o-limite-da-imaginacao.html

sábado, 23 de setembro de 2017

PRIMAVERA 2017





Você chegou tão de mansinho

Que me pegaria de surpresa

Se não tivesse avisado que viria.



Eu aguardava sua chegada

Na esperança que viesse

Trazendo uma brisa de promessas

Para acariciar as folhas das copas das árvores

E faria renascer a euforia

Dos pássaros e borboletas

Na certeza da chegada das flores

Que amam se entregar à polinização

Sem falsos pudores.



Ontem sentei-me na varanda

Olhando perdidamente o horizonte

Certo que a avistaria rompendo nuvens

Que logo se desmanchariam em gotas de chuvas

Sobre telhados encardidos pela poeira

De um inverno com queimadas sem freios.



Não fosse o destempero das estações

Você viria sem surpresas

E eu contemplaria sua poesia

Na tradicional dança das mutações.



A data de sua chegada marcada no calendário

Cria em mim uma expectativa pueril

Saiba que poeta tem muito de menino travesso

Que vira tempo do avesso

Mas não abre mão da magia primaveril.







22/09/2017


domingo, 17 de setembro de 2017

SIMPLES ASSIM






Não escolho palavras

Elas me escolhem

Mas não vem nuas

Trazem em si a carga semântica

Que não conseguiram despir.

Às vezes chegam de chofre

Aparecem de supetão

Mas também chegam de mansinho

E ficam me abeirando

Me olhando, por exemplo,

Pelos olhos de um passarinho.

Simples assim.  



Foto de meu acervo pessoal, fotografada por mim, ontem, no final da tarde, na limeira de meu quintal



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

MEU JEITO DE TE OLHAR


Meu jeito de te olhar
Guarda mistérios
Que não posso revelar

Carrego em mim um pouco de ti
Secretamente em minha mente
Imagens imaginadas, lampejos que vi
Ao meu modo nada inocente

Mulheres sábias sabem
Que poetas tem superpoderes
E tudo que escrevem
É fruto de seus mágicos saberes.

Por isso, ao ver-te sem véus
Com a alma nua e sem medos
Não me considero um semideus
Apenas um poeta que lê segredos.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

DESENCANTO




De vez em quando
Me desencanto
E não me encontro
Em meus escritos.

Quando isso acontece
Nada do que teço floresce
E não me reconheço
Nos poemas encarcerados
Nas gavetas
Povoadas por oníricas viagens
Ao infinito de mim mesmo.

Por precaução
Recolho-me ao silêncio
Dos versos despidos de ígneas metáforas
Para que os que me leem
Mas não me veem
N
ão digam
Que não sei quem sou
Não digam que na ânsia de ser
Me perdi em mim.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MINHA SAGA DE ODISSEU




Tira-me o pão, se quiseres, 
tira-me o ar, mas 
não me tires o teu riso.
Pablo Neruda 


Não preciso fazer mistério

Para dizer que te quero.



Ainda que fosses um sonho sonhado em meu exílio

Ou uma ilusão na dura realidade da lida

Ou então uma miragem fruto do meu pomar de loucuras

A simples contemplação do brilho de teu sorriso

Elevar-me-ia aos píncaros, às alturas.



Bem sei que o Olimpo é paraíso distante

E que este o poeta vive no universo de mortais

Também sei que Ulisses quase enlouqueceu

Simplesmente ao ouvir o canto da sereia

Mesmo assim vou escrevendo minha saga de Odisseu.



Na ânsia de querer-te

Perco-me em maravilhoso desatino.

Num instante, sou veleiro aos revezes do vento

Poeta singrando sonhos à deriva, ao relento

Homem velho vivendo travessuras de menino.



Mostra-me teu riso, peço-te,

Refletido nas faíscas de sol das manhãs

A estética do encantamento e desejo

Se desenha a partir de um simples lampejo.



Não fossem minhas humanas limitações

Visitaria o Olimpo de surpresa

E sem dar satisfação de minhas intenções

Faria de ti a mais linda presa.



Assim sendo, refém de paradoxal sentimento

Consultei meus oráculos, falei de meu desejo

E sem medo de tristeza e arrependimento

Prometi escrever poemas em troca do lampejo.



Não preciso fazer mistério

Para dizer que te quero.



Ao abrir as comportas da minha imaginação

Fiz-me avalanche de ilusões, redemoinho sem freios

Soubesses a intensidade de minha emoção

Não me torturarias com teus rodeios.



Quiçá fossem as deusas por Zeus castigadas

Sempre que provocassem tamanha agonia

Por capricho, elas revelam-se lindas e desejadas

Mas não se permitem além da fantasia.



Mostra-me teus lábios, peço-te mais uma vez,

Ainda que num flash na penumbra do ocaso

Às vezes os grandes sorrisos só se revelam

Longe de indiscretos olhares ao acaso.



Se na intimidade é mais fácil acontecer a magia

E na penumbra o mito não mente

Acenda-se, então, somente o clarão da poesia

Sob a benção da nua lua silente.



Não preciso fazer mistério

Para dizer que te quero.


domingo, 30 de julho de 2017

BILHETE DE DESPEDIDA



Parti, sim parti,

Mas não fui sozinho.

Para o exílio levei comigo

Meu coração vazio de poesia.



Não poucas vezes

Fui ao pomar de loucuras

A sua procura.

Em vão meus pés

Trilharam nos vãos das ilusões

E sem alcançar a magia do seu olhar,

Desistiram de procurar.



Na despedida eu disse:

Hoje não escreverei nada.

Não há nenhum poema em gestação

Em meu coração.



No pomar vazio de você

Não havia a doçura de outrora.

Os frutos, antes tenros e dulcíssimos

Guardavam, agora, sumos amaríssimos.



Sem o sol a iluminar o pomar

Pouco vale a luz do luar.



Sem a beleza da flor de verão

No pomar das ilusões,

Sequer vinga frutos temporões.




Parti, sim parti,

Mas não fui sozinho.

Na bagagem das lembranças,

meu coração em desalinho.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

DESPEDIDA




Hoje não escreverei nada.

Não há nenhum poema

Em gestação em meu coração.


Por ora, apenas recolherei

Palavras que ficaram

Espalhadas em desalinho.


Alguns adjetivos florescidos no verão passado,

Os quais tanto me inebriaram de poesia

E agora parecem não fazer sentido.


Também guardarei em caixas lacradas

Restos de metáforas que me sorriam ambiguidades

Pelo simples prazer de provocar felicidades.


Guardarei ainda alguns verbos

Encarregados de desenhar ações

Sonhadas em pretéritas ilusões.


Se algum dia, do desterro, eu retornar

Pode ser que meu desassossego

Me instigue, novamente, a versejar.


Mas se amanhã, quando o sol raiar,

Um novo verso meu te fizer sorrir

É porque eu desisti de partir.