sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

POEMINHA PASSAGEIRO




Mais um janeiro de vai.
Esse, nunca mais.
Na ânsia de escrever o futuro,
Planejo um novo janeiro possível.
Esperança e incerteza de todos nós. 


Almáquio Bastos, 31/01/2014. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

METAPOEMA


Prometi a mim mesmo
Não mais escrever poemas
Paridos sob a influência de Eros,
Mas, me traio
- E quedo-me embevecido -
Sempre que sou atingido por lampejos de fêmea beleza.

Quando me liberto das algemas do Relógio
É ao oficio de artífice do nada
Que dedico meu exílio.
No desterro, caminho de olhos fechados
Na superfície das lembranças.

O fazer poético
Não me exige cumprimento de horário,
Exige dedicação exclusiva.

Recluso em minha torre de holograma
Recolho das metafísicas gavetas
Os fragmentos de realidade colhidos aleatoriamente.
Por exemplo:
Vento brincando nos cabelos da amada,
Respingos de sorrisos impregnados na vidraça da memória, 
Ou uma simples contemplação da alegria
Solitária do zangão
Que faz festa nas vulvas das flores de maracujá
Em meu quintal nas manhãs de verão.
Tudo isso é matéria prima para minha poesia.



A vulnerabilidade dos poetas
Ante a beleza feminina
É lírica sentença
Por causa da magia
Emanada da Caixa de Pandora
Metamorfoseada
Em orquídeas guardadas
No vértice entre coxas das filhas de Eva.
Eis aí, o epicentro das ideias luminescentes
Que alimentam os outdoors do mundo.  

Assim, ao olhar meu espelho de lembranças
Vislumbro seu corpo de Vênus,
(Escondido sob levíssimo vestido esvoaçante)
Caminhando no paço dos deuses.
Súbito, meu eu lírico exclama mentalmente: Afrodite, Afrodite! 

Dominado pelo alumbramento,
Sinto quando o céu de minha mente
Ilumina-se com relâmpagos de poeticidade.

No exílio é assim:
A poética dos sentidos
Passa pela catarse.

Temeridade, porque sei que nem o mais exímio poeta
Consegue escapar, incólume,
De sua trincheira exílica.
O que dirá de mim,
Poeta chinfrim,
Nascido na terra do pequi.



Destarte, assim como Ulisses,
- Quando preso ao mastro do navio -
Debateu-se em desejos ao ouvir o canto das sereias,
Eu, fisgado por ígneos pensamentos,
Mesmo atado, vagueio aceso feito vaga-lume,
Nas sendas do enlevo.    


Almáquio Bastos, 21 de janeiro de 2014. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

VARIAÇÕES SOBRE VARIAÇÕES

Nesta quinta feira, 02/01/2014, acordei com o sol pulando o muro de meu quintal, passeando pelo jardim todo garboso, atravessando a varanda e esparramando seu sorriso luminoso através das janelas da casa. Pensei comigo: há coisas que tem um valor inestimável para a vida da gente, acordar é uma delas. O simples ato de abrir os olhos e sentir-se vivo é testemunho de que a vida continua, mas sei que a qualidade de nossos dias depende, também, de muitos outros fatores. Despertar assim como despertei hoje, poder levantar e assistir a alegria das abelhas, beija-flores e outros pequenos seres visitando meu jardim, bisbilhotando, sem pudor, as intimidades das flores de maracujá, é um privilégio inominável. Por isso aproveitei o restinho de recesso do trabalho, decorrente dos festejos natalinos e final de ano e procurei desfrutar dessa ociosidade gostosa que as obrigações cotidianas me rouba. Aproveito para falar de meu jardim, meu pequeno oásis. Ele é simples e suficiente como deve ser tudo o que temos. O maracujazeiro cobriu todo o gazebo e agora se dedica a produzir flores que fazem a alegria dos polinizadores, além dos deliciosos frutos. O limoeiro está iniciando a primeira produção, enquanto o pé de mexerica aguarda sua vez, assim como a tenra goiabeira que ensaia iniciar o cumprimento de sua missão. Tem ainda o velho pé de romã, cuja muda foi um presente de minha saudosa avó Virgínia, que já se foi há alguns anos. Não poderia deixar de mencionar os pés de banana ourinho, em franca produção. Infelizmente, tive que poder o abacateiro, contra minha vontade, por causa da reforma da casa. Ele estava enorme e representava perigo, mas o tronco já está brotando novamente e agora ganhou umas orquídeas para complementar a ornamentação. Assim comecei meu segundo dia neste início de ano, dedicando-me ao deleite da contemplação. Após cumprir algumas obrigações domésticas ao longo do dia, no final da tarde, ainda com o sol de verão colorindo de luz o meu quintal, dei uma pausa para o ritual do café. Isso mesmo, ritual do café. É assim que minha filha Amanda denominou o momento em que eu e a Ilka pausamos o tempo para degustar um cafezinho caseiro. Ainda mais agora, que ganhamos uma cafeteira expresso o momento ritualístico ficou mais cult. Isso porque, quando possível, como foi hoje que estávamos de folga, o cafezinho foi degustado com a calma que o momento merece, sem goles apressados, sem olhar no relógio, sem sair às pressas porque time is money. Foi nesse momento em que me apossei do livro “Variações sobre o prazer”(*), de Ruben Alves, presente que a Ilka ganhou de nossa filha Larissa. Concluí a leitura do prefácio impactado, sobretudo pela crônica “Se eu tivesse apenas um ano a mais de vida...” que ele inseriu na apresentação de seu livro. Fiquei com raiva de Rubem Alves. Eu deveria ter escrito aquela crônica. No primeiro parágrafo da transcrição, ele diz: “ Para que ler poesia? Para a gente ficar mais tranqüilo e mais bonito. Mas não me entendam mal. Já observaram os urubus – como eles voam em meio à ventania? Eles nem batem asas. Apenas deixam-se levar, flutuam. Esse jeito de ser chama-se sabedoria. A poesia nos torna mais sábios, retirando-nos do torvelinho agitado com que a confusão da vida nos perturba”. (p.8) Mais à frente ele complementa: “Pois é isso que a poesia faz: ela nos convida a andar pelos caminhos de nossa própria verdade, os caminhos em que mora o essencial”.(p. 9) O próprio Rubem Alves levanta o questionamento: O que é o essencial? Ele mesmo responde com um exemplo: “Um conhecido meu, místico e teólogo da Igreja Ortodoxa Russa, ao saber que tinha um câncer no cérebro e que lhe restavam não mais que seis meses de vida, chegou à sua esposa e lhe disse: “Inicia-se aqui a liturgia final”. E, com isso, começou uma vida nova. As etiquetas sociais não mais faziam sentido. Passou a receber somente as pessoas que desejava receber, os amigos, com quem podia compartilhar seus sentimentos. Eliot se refere a um tempo em que ficamos livres da compulsão prática – fazer, fazer, fazer. Não havia mais nada a fazer. Era hora de se entregar inteiramente ao deleite da vida: ver os cenários que ele amava, ouvir músicas que lhe davam prazer, ler os textos antigos que o haviam alimentado. O fato é que, sem que o saibamos, todos nós estamos enfermos de morte e é preciso viver a vida com sabedoria para que ela, a vida, não seja estragada pela loucura que nos cerca”. (p. 10) (...) Com essa reflexão inicio este ano de 2014. Há 54 anos tenho o privilégio amontoar fevereiros em meu celeiro de dias, mas até quando? Por isso, amigos, não me procurem no torvelinho de inutilidades, do fazer por fazer. A partir de agora, vou me dedicar ao essencial. Maktube. (*) Alves, Rubem. Variações sobre o prazer: Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.

2014 CHEGOU.



Chegou. Chegamos. 2014 chegou para o mundo e até para o Brasil. No ano da copa e  eleições, no pais das desigualdades sociais e da corrupção institucionalizada, festeja-se com “fogos e artifícios” o réveillon.  
 Passado o frisson dos excessos e inaugurado o futuro, já primeiro dia do novo ano, os noticiários nacionais estampam as queimas de fogos e outros rituais de passagem acontecidos no país e, entre um comercial e outro, anuncia-se aumentos de impostos e o novo valor do salário mínimo, já em vigor.

 O que importa se as cortinas de 2013 se fecharam com chuvas, que não são de poesia, enquanto novas vítimas de velhas enchentes e deslizamentos de todos os anos não tiveram o que comemorar? O que importa se o prantear dos desabrigados foi silenciado pelo eco, em coro, de “Feliz ano novo!” que virou notícia na televisão? Importante, isso sim, é que em Copacabana milhões de pessoas assistiram o maior espetáculo pirotécnico do país, quiçá do mundo e logo, logo chegará o carnaval? Alea jacta est.


  

sábado, 10 de agosto de 2013







BERMUDA JEANS
justíssima, colada,
segunda pele azul.
Você passa calada
e
nem percebe
os ruídos de achas crepitando
em mim.

(De repente, acordei no meio da madrugada silenciosa
em que este poema ruidoso insistiu ser parido de mim.)
Aparecida de Goiânia, 10/08/2013.


segunda-feira, 25 de março de 2013

EDITAL DE CONVOCAÇÃO






O Presidente da Academia Aparecidense de Letras, entidade sem fins lucrativos, sediada em Aparecida de Goiânia, convoca todos os acadêmicos para, reunindo-se em assembleia geral extraordinária, deliberarem sobre os seguintes assuntos:

Análise e deliberação sobre a proposta de admissão de novos acadêmicos;
Eleição da diretoria executiva e conselho fiscal para o biênio 2013/2015.

Local: Rua Brunsviga, Qd. 12, Jardim Nova Era, Aparecida de Goiânia – Go.

Data: 27.04.2013. Horário: 16:00, com metade mais um dos acadêmicos, em primeira chamada; ou às 16:30, em segunda chamada, com, no mínimo, um terço dos acadêmicos.



José Donizete Fraga
Presidente

terça-feira, 13 de novembro de 2012

SARAU NA ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS.



                   

A Academia Aparecidense de Letras promoveu na sexta-feira última, 09/11/2012, o lançamento do livro de contos O PÃO DE CADA DIA, de autoria do educador, escritor e acadêmico CLAUDIO DE CASTRO.
O lançamento aconteceu na sede provisória da Academia, localizada no Colégio Claudio de Castro, Aparecida de Goiânia, durante um sarau enriquecido com apresentação de dança, música e recital de poemas declamados por alguns acadêmicos, o que, certamente, oportunizou aos presentes uma noite festiva, na qual, manifestações artísticas em várias nuances puderam ser apreciadas.
PÃO DE CADA DIA chega a lume mais que referendado, pois, além do histórico de publicações relevantes do autor, a obra, ainda inédita, foi premiada em dois concursos literários, um deles promovido pela Universidade Ibirapuera, em São Paulo e o outro, em terras goianas, durante os anos noventa, no certame denominado Novos Valores da Literatura.
Não obstante as premiações que o validaram, o texto de CLAUDIO DE CASTRO continuava na gaveta, como ele próprio assevera na apresentação de sua lavra: “Apesar da vitoriosa trajetória desses textos, o livro permanecia inédito e só agora, mais de uma década passada o livro vem à luz”.
O livro é composto de nove contos curtos, narrados em primeira pessoa, o que imprime ao texto uma pessoalidade sugestiva de caráter autobiográfico.
As narrativas fluem como “causos” contados entre amigos, o que torna a leitura agradável e atraente à maioria dos leitores já nos primeiros parágrafos.
Outro aspecto em O PÃO DE CADA DIA que contribui para esse despertar de interesse no leitor, penso eu, é que a construção textual, em cada história, apresenta um enredo leve, com cara de cotidiano possível, fazendo de cada leitor uma potencial testemunha de cada situação.
A prosa de CLAUDIO DE CASTRO em O PÃO DE CADA DIA agrada também porque cada história se desenovela parágrafo a parágrafo sem afugentar os leitores menos experientes, mas, ao mesmo tempo, apesar da aparente simplicidade, revela-se densa, sugerindo, provocando, criando situações inusitadas, como é o caso do ingrediente surpresa adicionado ao texto e à massa, no conto PÃO COM TORRESMO.
CLAUDIO DE CASTRO não faz apenas o resgate da história da família do personagem, mas traz para os nossos dias, para conhecimento, principalmente “do pessoal das gerações y e z”, a lembrança das tradicionais PADARIAS com forno à lenha, aquelas que existiam em todos os bairros e foram substituídas pelas panificadoras localizadas no interior dos supermercados ou transformadas em lojas de conveniência.
Após o último ponto final, conclusa a leitura, ao pensar em uma definição para esta obra de CLAUDIO DE CASTRO, achei prudente voltar ao início, mais precisamente na orelha do livro, e fazer coro com a escritora e acadêmica LUCIANA CATARINA quando assim o define: “Despretensioso e simples, assim é o texto de Claudio de Castro. (...) A literatura de Claudio não tem a intenção de agradar ou desagradar, ela apenas acontece de forma espontânea. (...)O Resultado contempla a nós, leitores, com uma literatura de altíssimo nível”.  


Almáquio Bastos é Escrivão Policial Civil, escritor e membro da Academia Aparecidense de Letras e União Brasileira de Escritores – Seção Goiás.    

04 de janeiro de 2025