sábado, 10 de agosto de 2013







BERMUDA JEANS
justíssima, colada,
segunda pele azul.
Você passa calada
e
nem percebe
os ruídos de achas crepitando
em mim.

(De repente, acordei no meio da madrugada silenciosa
em que este poema ruidoso insistiu ser parido de mim.)
Aparecida de Goiânia, 10/08/2013.


segunda-feira, 25 de março de 2013

EDITAL DE CONVOCAÇÃO






O Presidente da Academia Aparecidense de Letras, entidade sem fins lucrativos, sediada em Aparecida de Goiânia, convoca todos os acadêmicos para, reunindo-se em assembleia geral extraordinária, deliberarem sobre os seguintes assuntos:

Análise e deliberação sobre a proposta de admissão de novos acadêmicos;
Eleição da diretoria executiva e conselho fiscal para o biênio 2013/2015.

Local: Rua Brunsviga, Qd. 12, Jardim Nova Era, Aparecida de Goiânia – Go.

Data: 27.04.2013. Horário: 16:00, com metade mais um dos acadêmicos, em primeira chamada; ou às 16:30, em segunda chamada, com, no mínimo, um terço dos acadêmicos.



José Donizete Fraga
Presidente

terça-feira, 13 de novembro de 2012

SARAU NA ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS.



                   

A Academia Aparecidense de Letras promoveu na sexta-feira última, 09/11/2012, o lançamento do livro de contos O PÃO DE CADA DIA, de autoria do educador, escritor e acadêmico CLAUDIO DE CASTRO.
O lançamento aconteceu na sede provisória da Academia, localizada no Colégio Claudio de Castro, Aparecida de Goiânia, durante um sarau enriquecido com apresentação de dança, música e recital de poemas declamados por alguns acadêmicos, o que, certamente, oportunizou aos presentes uma noite festiva, na qual, manifestações artísticas em várias nuances puderam ser apreciadas.
PÃO DE CADA DIA chega a lume mais que referendado, pois, além do histórico de publicações relevantes do autor, a obra, ainda inédita, foi premiada em dois concursos literários, um deles promovido pela Universidade Ibirapuera, em São Paulo e o outro, em terras goianas, durante os anos noventa, no certame denominado Novos Valores da Literatura.
Não obstante as premiações que o validaram, o texto de CLAUDIO DE CASTRO continuava na gaveta, como ele próprio assevera na apresentação de sua lavra: “Apesar da vitoriosa trajetória desses textos, o livro permanecia inédito e só agora, mais de uma década passada o livro vem à luz”.
O livro é composto de nove contos curtos, narrados em primeira pessoa, o que imprime ao texto uma pessoalidade sugestiva de caráter autobiográfico.
As narrativas fluem como “causos” contados entre amigos, o que torna a leitura agradável e atraente à maioria dos leitores já nos primeiros parágrafos.
Outro aspecto em O PÃO DE CADA DIA que contribui para esse despertar de interesse no leitor, penso eu, é que a construção textual, em cada história, apresenta um enredo leve, com cara de cotidiano possível, fazendo de cada leitor uma potencial testemunha de cada situação.
A prosa de CLAUDIO DE CASTRO em O PÃO DE CADA DIA agrada também porque cada história se desenovela parágrafo a parágrafo sem afugentar os leitores menos experientes, mas, ao mesmo tempo, apesar da aparente simplicidade, revela-se densa, sugerindo, provocando, criando situações inusitadas, como é o caso do ingrediente surpresa adicionado ao texto e à massa, no conto PÃO COM TORRESMO.
CLAUDIO DE CASTRO não faz apenas o resgate da história da família do personagem, mas traz para os nossos dias, para conhecimento, principalmente “do pessoal das gerações y e z”, a lembrança das tradicionais PADARIAS com forno à lenha, aquelas que existiam em todos os bairros e foram substituídas pelas panificadoras localizadas no interior dos supermercados ou transformadas em lojas de conveniência.
Após o último ponto final, conclusa a leitura, ao pensar em uma definição para esta obra de CLAUDIO DE CASTRO, achei prudente voltar ao início, mais precisamente na orelha do livro, e fazer coro com a escritora e acadêmica LUCIANA CATARINA quando assim o define: “Despretensioso e simples, assim é o texto de Claudio de Castro. (...) A literatura de Claudio não tem a intenção de agradar ou desagradar, ela apenas acontece de forma espontânea. (...)O Resultado contempla a nós, leitores, com uma literatura de altíssimo nível”.  


Almáquio Bastos é Escrivão Policial Civil, escritor e membro da Academia Aparecidense de Letras e União Brasileira de Escritores – Seção Goiás.    

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

CANTO AO JARDIM DE ENIGMAS




Amo esse seu jeito de olhar
Possuído de desejos
Vitrine de fantasias esparramadas
Nas superfícies luminosas das lindas íris que se escondem
Apenas por milésimos de segundos
A cada piscar.

Amo cada palavra que escapa nua de sua boca
Em sussurros de interjeições fugidias
Formando poemas que nunca escrevi.

Amo a delicada irreverência
De seus mamilos intumescidos
Fazendo silenciosa declaração de anseios.

Amo o balé de gestos desenhados por suas mãos
Quando apertam fortemente
O travesseiro dominado e indefeso.

Amo o relevo de seu monte de Vênus
Que nada faz para ser amado
Apenas existe:
Linda escultura de veneração.

Por fim
Assim como Ulisses ao reencontrar Penélope
Amo com toda intensidade de meu fálico amor
A fêmea forma da flor
-  Belíssima orquídea -  
Nascida no vértice entre coxas
De seu encantado jardim de enigmas.


Comecei a escrever este poema em uma madrugada desta semana, quando, após ser despertado de um sonho, o poema sacudiu-me em uma lírica avalanche. Depois de indas e vindas em viagens ao mundo das ideias, hoje, 07/09/2012, finalmente a conclusão e a publicação no blog.
                                                                                                          Almáquio Bastos 


05/09/2012

sábado, 3 de dezembro de 2011

EU E MINHAS CRÔNICAS


                                                         
                Alfredo Bastos Sousa, meu tio, presenteou-me com um exemplar do livro EU E MINHAS CRÔNICAS, de sua autoria, publicado em setembro último pela Editora e Gráfica Ligabe, Vargem Grande do Sul, São Paulo, onde reside.
                        Eu e minhas crônicas é um livro de 128 páginas que reúne textos simples, escritos em prosa (contos e crônicas) e também em versos, dispostos aleatoriamente ao longo da obra.
                       A temática versa sobre assuntos variados, muitos deles escritos na primeira pessoa e com clara evidência autobiográfica. Esse aspecto autobiográfico é bastante nítido quando autor, consciente de que sua vida tem mais passado que futuro, manda recado aos leitores, como pode ser visto no texto cujo título é Sem título: “Apresso-me a escrever, pois meu fim está próximo. Espero que algum de meus pobres poemas, ou algum de meus contos possa servir de inspiração ou de algum proveito para algum leitor. (…) Muitos de meus escritos foram acontecimentos verdadeiros, presenciados e vividos por mim (…) Sempre gostei de escrever, e lamento não ter começado há mais tempo”.
                          Receber este livro provocou em mim dois sentimentos distintos e contraditórios. O primeiro sentimento foi alegria. Sempre me alegra saber que a arte, sobretudo a literatura, é voz e  instrumento de manifestação de sentimento de alguém.
                        Escrevo desde a adolescência e hoje, aos cinquenta e dois anos de idade, mais do que nunca, valorizo a capacidade de comunicação que a palavra escrita carrega em seu lombo semântico. A angústia de Fernando Pessoa transcendendo o tempo em Tabacaria é exemplo inconteste do que acabo de afirmar.
                           O outro sentimento que o livro provocou, ao contrário ao primeiro, é melancolia. Primeiramente porque as reflexões em torno da aproximação da morte feitas pelo autor de Eu e minhas crônicas, guardadas as devidas proporções, também são feitas por mim. Por isso escrevo sobre a vida, mesmo quando falo da morte.
                      Em segundo lugar, a melancolia se instala em decorrência de um tema que tem ganhado força: a morte do livro. Não a morte do livro Eu e minhas crônicas, que acabei de receber, tampouco dos quatro que já publiquei. Falo, de maneira geral, da morte do livro impresso, feito de papel e tinta, aquele que colocamos na cabeceira da cama para releituras ou na biblioteca, onde ele aguarda alguém que queira viajar no tempo e no espaço por meio da leitura.
                            O e-book, conhecido no bom e velho português como livro digital já é realidade e, gradativamente, ganha adeptos.
                            Considero fantástica a possibilidade de ter acesso a uma obra literária a partir de um simples download e, por exemplo, viajar pelo mar português, seja no Smartphone ou tablet, lendo Mensagem de Fernando Pessoa. Esse conforto fica ainda mais impressionante porque, além de Pessoa, sei que posso carregar Shakespeare, Homero, a Bíblia, o alcorão e centenas de outros títulos e autores, tudo bolso.
                               Considerando que futuro do livro não é tema que se esgota com argumentações simplistas, nem cabe ser debatido neste curto espaço, encerro a provocação tomando nas mãos o presente que acabo de receber. Olho novamente a capa, a contracapa e folheio, aleatoriamente, o livro até que me salta aos olhos o primeiro verso do poema Inspiração:

Eu monto em meu cavalo alado
Vou pelos ares até a fonte Hipocrene
Beber a inspiração poética que me refulge
Fazer meus versos que me eleva aos ares.
   
                            Fecho o livro com um sorriso nos lábios, na certeza que, mais uma vez o papel da poesia foi cumprido. Eu e minhas crônicas é um eco de resistência, uma voz que insiste em gritar às pessoas-leitores sobre a importância de compreender o significado de Carpe diem.



                                                                              

04 de janeiro de 2025