sábado, 11 de março de 2017

MEA CULPA



Peço desculpas
Pelo poema incompleto
Pela rima imperfeita
Pela palavra manca colocada
No meio do verso.
Peço desculpas
Por algum hiato
Que não deveria existir
E pela minha maneira falha de ser.
Mágoas causadas
Devem ser águas passadas.

Não sei se a vida imita a arte
Mesmo assim, do meu jeito chinfrim,
Vou tentando fazer a minha parte.

quinta-feira, 9 de março de 2017

POEMINHA SOBRE O ENCANTAMENTO



Um só riso basta
Para eu escrever sobre encantamento
Mas quero mais

Quero a boca que ri
Moldura de alegria
Lampejos de magia

Quero o sorriso sonoro
Quero o sorriso desenhado
Painel de um sonho encantado

Quero o brilho dos olhos
Nos olhos espelhado
Reflexo do arco de Iris refratado

E para não pairar dúvidas
Sobre meu encantamento
Revelo outro desejo
Quero o calor dos lábios

Quero o sabor do beijo.

terça-feira, 7 de março de 2017

SER FEMININO



Nobre missão cumpre quem empenha
Respeito e emoção ao referir-se às mulheres.
Dia a dia, noite e dia, ano a ano,
Oito de março ou não.
Mulher é sempre mulher.
Entretanto é bom saber que no reino lingerie
Ninguém decifra enigma de esfinge impunemente.
Saibam os homens que
O estigma de Eva não se aplica a quem
Nasceu para ser Maria.
Por isso, na busca pela felicidade,
É importantíssimo compreender
A sutil diferença entre o côncavo e o convexo
Quando se propõe a falar de sexo.
No riso de Sara
Entre o verso e o anverso
Leia-se o inverso.
O pragmatismo masculino não serve
De álibi para quem não lê entrelinhas.
O ser feminino, ainda que tenro e franzino
Carrega em si força e bravura
Sem abrir mão da ternura.
Cabe a nós, homens, compreender
Que em cada mulher a mão de Deus talhou
O que há de melhor.
Tantos milênios se passaram desde a criação

Que é difícil imaginar como seria a vida sem perfeição.




Poema escrito e apresentado por mim em 2012.
https://www.youtube.com/watch?v=6xvs9AJlGcw

segunda-feira, 6 de março de 2017

POEMA LABORAL



No meio da tarde,
Atropelado pelo tropel laboral
Mesmo em absoluta falta de tempo 
Não consigo frear meus sentimentos.


Qual seja o torvelinho de obrigações
Ou pantomina de ações
Para impedir que a lembrança de 
Seu sorriso arrebate meus pensamentos.

O que é a saudade senão
Um delicioso gosto de vontade?

Em doce e mágico devaneio
Acontecido em minúsculo lapso temporal,
Voo alto, sublime enleio,
Brisa suave em pleno vendaval.

Não fosse eu alado,
Meu destino seria a desilusão,
Porque mesmo estando manietado
Alço voos sem medo da prisão.

domingo, 5 de março de 2017

PEQUENA REFLEXÃO SOBRE O VALOR DAS FANTASIAS




Não se pode mensurar o valor das Fantasias pelo custo benefício.
Os parâmetros das ciências exatas
Não se aplicam às experiências vividas sob a égide da liberdade.
Isso explica a frustração de
Matemáticos e economistas
Quando se arvoram fazer gráficos para medir felicidade.
 

Na soma dos dias
Malditas são as urgências que nos consomem.
Elas nos roubam o brilho dos olhos,
A fraternidade do sorriso,
A lírica essência, matéria prima das alegrias.
 

Não há prazer em ser pedra,
Mas quando não há resistência
Pouco a pouco nos embrutecemos.

É privilégio natural dos poetas e filósofos
O livres trânsito
Nos trilhos limítrofes
Entre mito e realidade.

Não há mistério na mistura,
Há beleza e candura.
No reino da poesia
É natural o gosto pela alegoria.

Por isso, a cada manhã, meu despertar
É feito com cheiro de café quentinho
(coisa da casa dos avós),
Misturado com a beleza de balé de beija flor.

Amo assistir o sol brincando
De desenhar sombra de folhas
No chão do meu quintal.
É na importância dada aos detalhes
Que cumpro meus rituais.

 Não fosse o arsenal de obrigações
Dedicaria meus dias
Aos encantamentos e suas interjeições,

Sentindo no rosto a brisa da alforria. 


sexta-feira, 3 de março de 2017

POEMA SOBRE A ARTE DO DESEJO


Quero teus olhos
Mirando meus olhos
Tua boca roçando minha boca
E nesse querer sem freios
Quero-te inteira, sem rodeios.

Assim como Neruda,
Quero também o teu riso.
Mágica volúpia que me incendeia.
Você inteira, sorrindo, é tudo que preciso.


Quando conjugo o verbo querer,
Independentemente do tempo e modo verbal,
Pífio torna-se o ato de escrever
Em face da essência do desejo real.

Sou poeta afeito a epopeicas fantasias,
Ávido por navegar em insanos devaneios.
Na vida real, a loucura da poesia.
Nos desvarios, a memória dos arreios.

Por isso esse desejo inquietante
De escrever versos sobre a arte de desejar.
Seja sob as rédeas da lida extenuante,
Seja nas asas da magia, privilégio de quem sabe voar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

CONTABILIZANDO FEVEREIROS




Não consigo contabilizar fevereiros
alheio a reflexões.
Mês atípico no tamanho
e na bissextualidade, 
fevereiro carrega a pecha
de dotar piscianos com 
sensibilidade.

Meus cabelos não tem
“cinquenta tons de cinza”
mas sei que as cãs denunciam
a aproximação da terceira idade.

Sou do século passado, é verdade,
mas isso não me entristece,
muito pelo contrário,
vinho envelhecido me apetece.

Vinte e oito de fevereiro é assim,
último dia do mês que não chegou ao fim.
até que as águas de março fechem o verão,
festejo meu aniversário, seja bissexto ou não.

Na sucessão do ciclo das estações
a ampulheta me mostra uma dura realidade.
Vã é a tolice de postergar emoções
e a avareza com amor e cordialidade.

Amar é verbo que se conjuga no presente,
Pois no futuro pode ser uma temeridade.
De que adianta esconder a semente
Sem plantar para colher na posteridade?

Não costumo economizar carinhos
Também não sou de negar afeto.
Sou dado a abraços, chamegos e beijinhos,
Mas também sei ser duro e direto.

Se o futuro a todos é uma incógnita,
A velhice é mais que um presente
E deve ser a somatória bendita
Da graça dada pelo Deus onipotente.




Poeta Almáquio Bastos,
Em 28 de fevereiro de 2017
Ao completar 58 anos de idade.

04 de janeiro de 2025