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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

ENIGMA



Borboleta esculpida em veludo. Asas e mistérios na silhueta bipartida.
Uno corpo e mil segredos mimetizados nas peludas paredes do
Casulo de delícias, carnudas abas, que guardam úmidas,
Entre as duas grandes asas aveludadas, um par de sensíveis asinhas, que
Túmidas e imberbes, ocupam-se no nobre, mimético e delicadíssimo dever de
Agasalhar o minúsculo exemplar Chrysallis kleitoris que, sob capuz, se aninha.


BASTOS, Almáquio. Sob o Signo de Eros, Coleção Serra das Areias, v. 2, Academia de Letras de Aparecida de Goiânia – Goiás, Aparecida de Goiânia: 2007. p. 37


obs: foto capurada do blog http://danilein.blogs.sapo.pt/19377.html

domingo, 8 de fevereiro de 2009

AS MULHERES E O DESEJO

Novos estudos mostram que nem elas mesmas entendem o que desperta o prazer feminino.


“Ida Bauer aparece nos textos de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, sob o nome fictício de Dora. É uma moça bonita, de 15 anos, perturbada por tosses nervosas e incapacidade ocasional de falar. Chegou ao divã do médico vienense queixando-se de duas coisas: assédio sexual de um amigo da família e indisposição do pai em protegê-la. Freud aceitou os fatos, mas desenvolveu uma interpretação própria sobre eles. O nervosismo e as doenças se explicavam porque a moça se sentia sexualmente atraída pelo molestador, mas reprimia a sensação prazerosa e a transformava, histericamente, em incômodo físico. Como Ida se recusou a aceitar essa versão sobre seus sentimentos, largou o tratamento.
Peter Kremer, biógrafo de Freud, diz que os sintomas só diminuíram quando ela enfrentou o pai e o molestador, tempos depois. Freud estava errado; ela, certa. Anos mais tarde, refletindo sobre a experiência, Freud escreveu uma passagem famosa: “A grande questão que nunca foi respondida, e que eu ainda não fui capaz de responder, apesar de 30 anos de pesquisa sobre a alma feminina, é: o que querem as mulheres?”.
Meredith Chivers, uma jovem pesquisadora da Universidade Queen, no Canadá, acredita que pode finalmente responder à pergunta. Sem os preconceitos e a ortodoxia de Freud, e com recursos experimentais que ele não tinha, reuniu 47 mulheres e 44 homens em laboratório e aplicou o mesmo teste a todos eles. [...] Os resultados foram sensacionais.[...] A outra surpresa da pesquisa de Meredith, talvez sua descoberta mais importante, foi a constatação de que existe uma distância entre o que as mulheres manifestam fisicamente e o que elas declaram sentir.
[...]
Se for excluída a hipótese de que as mulheres mentem a respeito de seus sentimentos (por que fariam isso em laboratório, protegidas pelo anonimato?), estamos de volta à perplexidade registrada por Freud no texto de 1900, com um sério agravante: não é apenas um homem que não entende as mulheres, mas elas mesmas que não sabem o que sentem.”
(Matéria de capa da Revista Época, nº 559, de 02/02/2009)
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O universo feminino é tema que fascina e sempre fascinou os poetas de todos os tempos. É um encanto-desafio que permeia o corpoalma das fêmeas e, o que emana desse mistério, provoca um redemoinho inexplicável no epicentro dos seres humanos dotados de pinto. Isto mesmo, quando o assunto é desejo, o pinto - friamente chamado de pênis nos livros científicos e consultórios médicos - é o símbolo máximo da representação do universo masculino. Desejo na sua forma mais objetiva possível. Por isso excluo dessa abordagem as outras mil e trocentas facetas que constroem a relação homem-mulher.
Estou falando do desejo-magia que provoca taquicardia, respiração alterada, fluxo sanguíneo direcionado, relâmpagos riscando o céu da mente e faíscas outras, tudo ao mesmo tempo, enquanto o famigerado “Superego” nos amarra ao mastro do navio, assim como fizeram os guerreiros de Ulisses, por sua ordem, para que resistisse o canto das sereias. Ufa!
Mesmo assim, nós homens somos mais simples que as mulheres. É mais fácil nos entender, não obstante o pêndulo indomável parecer ter vontade própria. Rs*. Já o Software daquelas que Freud referiu como “seres castrados” é um Obscuro Continente e faz parte do maravilhoso e enigmático hemisfério da poesia. Maktub.



OBSCURO CONTINENTE
O que quer uma mulher?
Sigmund Freud
.

Alma de mulher,
Imenso e vário este universo
De labirintos onde
Trafegam perguntas sem respostas.
Onde dormitará o ninho
Dos inconfessos desejos e o esconderijo
Dos temores ginofensivos?

Quisera eu desbravar,
Impunemente, os meandros
Desse obscuro continente e
Dissecar os signos envoltos
Nas sedosas madeixas,
Até compreender
A uterina semântica dos poemas
Escritos a batom.

Preferível caminhar devagar
No reino lingeries.
Tola pretensão tentar abrir
A força o tenro botão da flor.
Só a ternura vence o poder
Das pétalas.

Coração de mulher
Tem muito de fruta:
Sabor e semente na polpa madura.
Prudência provar aos poucos,
Gomo a gomo,
Com ciência de quem ama
O sabor dos alvéolos
Mitificados.

“O que quer uma mulher?”
Quem te falo
Que se cale.
Pelo sim, pelo não
Aberta fica
a questão.

(Sob o Signo de Eros, p. 15)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

EU PLURAL

Tantos mistérios há na alma do poeta
Que é difícil precisar o nó górdio
Da agonia.
Dura urdidura
Fina fissura
Densa gastura.

Quando a quero,
- e sempre a quero –
Sou o outro eu de mim mesmo.
Vou além da farsa
Fingindo o desejo
Que deveras sinto.

Quando a quero,
- e sempre a quero –
Parto do princípio
De não ter princípios.
Amo o que transcende.
Eu plural: Eus.

Quando a quero
- e sempre a quero –
Dispo-me de mim,
Sou todo nu: Pessoa.

BASTOS, Almáquio. Sob o signo de Eros. Coleção Serra das Areias, vol. 2. Academia de Letras de Aparecida de Goiânia: 2007 p. 23

SOB O SIGNO DE EROS




Em maio de 2007, lancei Sob o Signo de Eros, livro de poemas publicado com o apoio da Academia de Letras de Aparecida de Goiânia (ALAG), volume 2 da coleção Serra das Areias.
Sob o Signo de Eros é quarto livro de minha lavra. Reúne 31 poemas, cuja temática singra nas polêmicas e fascinantes águas do erotismo.
Desde que me entendo por gente, pequerrucho ainda, acocorado na cozinha da casa simples de Ivolândia, interior de Goiás, esperando que minha avó retirasse do forno a lenha os biscoitos que ela fazia como ninguém, sei que “sexo não é conversa pra criança, nem pra moça direita, nem pra mulher casada que se dá ao respeito”. Resumindo, é assunto proibido.
Pode até provocar risos dizer isso em pleno século XXI, quando as práticas sexuais recorrentes parecem propalar o contrário, principalmente se for levado em consideração a publicidade em torno do assunto. Entretanto, embora haja avalanches de publicações, científicas ou não, sobre o tema e, pesquisas e mais pesquisas, umas sérias, outras nem tanto, demonstradas em estatísticas que sinalizam para popularização do assunto, falar de “sexo” ainda gera “risinhos” ou olhares enviesados.
Nas “palavras iniciais” escritas a guisa de prefácio, pois não quis constranger amigos a prefaciar minha obra, saliento, dentre outras coisas, o seguinte:


Não há dúvidas que “sexo” é tema recorrente na história da humanidade e, não obstante sua realidade e importância, é tratado com reservas em decorrência da imposição das máscaras sociais. Entretanto, arte não se submete a amarras. Por este viés, o artista tem o privilégio de perscrutar os meandros dos desejos a partir do encantamento ante a inegável beleza do corpo, sobretudo o feminino, sem e ocupar em vestir a armadura da hipocrisia.
Ao optar por esse caminho, através da literatura, principalmente ao evocar práticas pouco convencionais, faço-o ciente que poderei provocar arrepios naqueles que, por ortodoxia, desejem colocar este livro na galeria dos “impróprios”, classificando-o como exemplo de “atentado à moral e aos bons costumes”. Por isso, apresso-me em dizer que em momento algum me deixei levar por uma intenção acintosa, ou que intente fazer apologia a este ou àquele comportamento.
Acredito na idéia de que a arte é concebida no imaginário do artista a partir de leituras feitas do mundo real. Isto é, arte brota da vida, do estar no mundo. (p. 11)


[...]



Muitas pessoas escrevem poemas, mas nem todos que o fazem são poetas. Para os poetas, estar no mundo é muito mais que existir nele. Não é necessário ser um mestre em literatura para saber a relação que os artistas estabelecem com a vida através da arte. Cada poeta, no seu tempo, pode contribuir, ainda que minimamente, com a construção do retrato literário de sua época. Futuramente, se saberá quem o fez.
Sinceramente não sei se minha luta literária vale a pena e, às vezes, me pergunto: escrever por quê ? Para quê? Para quem? Enquanto não tenho respostas, vou abusando da paciência da meia dúzia de leitores que tenho. Maktub.