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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

terça-feira, 25 de abril de 2017

RÉQUIEM PARA MIM MESMO





De repente bateu-me uma
Saudade de mim que não sei explicar.
É como se eu tivesse me perdido
Em algum lugar do caminho
E tão longe estou do que fui
Que meu olhar não me alcança na distância.
Entretanto, há marcas não se apagam
Nem enganam
E subitamente se abrem como um pop-up
De lembranças na tela da mente.

Uma melodia, um poema,
Um sorriso, um jeito de falar
São marcas indeléveis,
Difíceis de esquecer, impossíveis de apagar.
Lembrei-me quando minha mão
Encontrou outra mão
Que não a minha
E se tocaram com encantamento
De primeira vez.
Um olhar evitava o outro olhar
Porque os corações sabiam
Que havia segundas intenções.

Por isso essa saudade
Que não sei explicar.
É como se outro eu
Me olhasse nos olhos
Buscando a si próprio,
Sem conseguir encontrar.

Destarte,
Resta-me escrever este poema tosco
Como se o ato solitário da escrita
Tivesse poderes para me fazer encontrar
E livrar-me da incomoda desdita.   

segunda-feira, 10 de abril de 2017

REFLEXÃO SOBRE O SIGNIFICADO DA PALAVRA MUSA


Quando estou entregue às divagações
Costumo brincar de desnudar palavras
Só para ver as reações.
Nuas, como saem do dicionário,
Elas revelam apenas o necessário.

Entretanto, cada palavra tem muito mais
Além do singelo significado que ela traz.
O plus depende do contexto
Ainda que seja tão somente um pretexto.

É comum ao dicionário falhar
Na sua valiosíssima função de definir,
Simplesmente porque toda definição
É técnica, pautada no significado cru,
Sem emoção de força motriz.

A poesia não se alimenta
De sentido sem sentimento.
Quando a palavra não fala,
É a alma do poeta que se cala.

Por exemplo:

Hoje resolvi brincar com a palavra musa
E descobri o que minha alma de poeta já sabia.
No dicionário pouco há que me seduza,
Porque é apenas substantivo feminino, sem magia.

Já no texto poético a palavra sobeja beleza
E emana encanto sem igual.
Não há como ignorar a grandeza,
Seja ela feminino, singular ou plural.

Eis aí a razão de meu lírico desespero
Ao ser impactado pela magia do encantamento.
Não é à toa o labor poético com esmero
Quando a poieses se manifesta em sentimento.

Ser musa é mais que ser deusa, filha de Zeus,
Presa no Olimpo, nas páginas da mitologia.
É ser mulher real que encanta e seduz os olhos meus
E por isso se torna deusa em minha poesia.

A simples pronúncia da palavra é inspiração,
Fonte de insanos desejos e singela ternura
Que faz meus hormônios entrar em erupção
Ou meu coração quedar-se embevecido de candura.

Musa é face amiga, beleza contida e respeitada
Encantamento guardado na contemplação.
Musa é fêmea no cio, pelo poeta desnudada.
É volúpia vencendo o pudor, é amor em ação.

Eis aí a minha definição poética
Da palavra que não é muda, mas é musa que fala.
Paradoxo para alma insensível ou cética,
Mas que para mim é avalanche de encantos
 Que meus alicerces abala.

terça-feira, 4 de abril de 2017

DILEMA ENTRE O DESEJAR E O QUERER





Estou dividido entre o desejar
E o querer, mas esse é um dilema
Que não pretendo resolver.

O querer sempre me leva
A uma realidade objetiva,
Cujos destinos finais são pontos cardeais.

O desejar me eleva
À pluralidade permitida
E ao êxtase das possibilidades sensoriais.

No querer somente subo às alturas
Degrau por degrau,
Viajando lonjuras de modo racional.

O desejar me permite levitar
E nas asas do devaneio
Alço voos inimagináveis
E chego aonde desejo chegar.

No querer, por mais que eu queira
Um exílio perfeito, sou refém
Dos meus defeitos.

No desejar sou dono do leme e dono do mar.
Minha bússola é o irreverente assobio dos ventos
E meu destino é qualquer lugar onde eu possa sorrir e amar.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

DIALÉTICA DOS SENTIMENTOS


Na dialética dos sentimentos
Pergunto, em pensamento, ao seu coração:
O que nos une?

Quanto a mim,
Entendo que quando meus olhos
Lampejam encantamentos
Ao contemplarem a
esfuziante beleza
seu sorriso,
O que é isso senão poesia?

Quando a distância nos desencontra
E deixa meus olhos longe do
s seus
E faz arder no peito o enigma da saudade,
O que é isso senão poesia?

Quando meu corpo pede seu corpo
E as lembranças me queimam
Como achas crepitantes,
Fazendo-me perder o juízo
Em versos inquietantes,
O que é isso senão poesia?

Mas também,
Quando nossas mãos se tocam e passeiam recíprocas
Numa entrega sem receios
Pele reconhecendo pele
Cheiro se juntando a cheiro
Fusão perfeita de desejos
Em sinfonia de acordes plurais,
O que é isso senão poesia?

Qualquer seja a conjuntura
Seja na mesma cama
Ou juntos até nas lonjuras,
Compartilhando encantamentos
E deliciosas loucuras,
O que é isso senão poesia?

É a poesia que nos une 
Porque é lâmpada que acende o
Brilho dos meus olhos
Com o brilho dos
olhos seus.