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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

DIA DO BEIJO




Hoje, 13 de abril, dia do beijo,
Ofereço minha boca:
Portal de palavras capazes de fazer

 Pensar e de enternecer.

Ofereço meus lábios,
Carnuda moldura apta ao toque,
Ávida na arte de sugar,
Pronta para beijar.

Ofereço também minha língua,
Vernáculo de mil possibilidades,
Louca lontra,
Lépido réptil alado
Livre palavra que lavra, semeia, sega, incendeia.

No dia do abraço,
Ofereço meus braços,
Tentáculos indomados,
Acostumados a agasalhar.

No dia do silêncio,
Ofereço meu ombro e 
meu olhar cravado no horizonte de nós mesmos,
Como se as distâncias medidas pelos olhos
Fossem capazes de acalentar.

No dia de nada,
Me ofereço inteiro,
Tinta e Tinteiro,
Brasa e braseiro,
Boca, braços, abraços.
Certeza que no ato de se doar,
A recompensa de receber. 


Poema escrito "a toque de caixa" no dia do beijo. 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

RITUAL CÍTRICO (Ou, simplesmente, canto aos gomos)




Tomo a fruta nas mãos
E, antes de descascá-la,
Quedo-me silente
Como se quisesse adiar
A prazerosa agonia da expectativa.

Finda a transe,
Vou retirando a casca
- Calma mente!-
Com alegria infante
E delicadeza de artífice

Passo a passo
Desato os nós dos finos liames
Que atam o invólucro ao fetiche
Até que os detalhes
Se descortinam nus
Feito feixes de luz.

Cumpridos os ritos da magia,
A recompensa se consuma
Quando a beleza dos gomos
Ofuscam meus olhos extasiados.

Na sequencia,
Dedico-me ao deleite
E sorvo o sumo
Dos gomos deliciosamente maduros. 

Aparecida de Goiânia, 06/04/2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

POEMA CONFESSIONÁRIO


Entrego-me ao desespero
Todas as vezes que me vejo nu diante de mim mesmo
Sem chão sob os pés
E com a certeza que tudo foi culpa minha.

O meu amanhã,
Quem sabe o que seria
Se eu mesmo, sujeito a ação,
Nada sei senão a certeza de não saber?

Hoje, aqui, diante do texto inconcluso,
Tento imaginar as palavras que mudariam
O verso, o anverso e o reverso
Deste poema confessionário.

Onde está meu oásis,
Se o deserto de meus enlevos

São relevos intransponíveis? 

Aparecida de Goiânia, 05/04/2016, 23:00