Nascido na véspera do futuro, De que me adianta o brilho Néon do engano Se não consigo evitar a calvície De meus sonhos? Das cavernas, A angústia me consome. Da pedra lascada À Internet, Nada mudou. Nos cromossomos Somos os mesmos: Pânico diluído nos gens. Se a cabala fala, O que me cala é o medo Que meço a polegadas No tic-tac de meus dias.
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sábado, 26 de junho de 2010
ENIGMA VERMELHO
Mergulhado em silencioso ritual de contemplação
Distancio-me de mim ao pousar meu olhar
Nos delicados contornos de seus lábios.
Quedo-me extasiado ao perceber
O que outros apenas veem
E a poesia lampeja em forma de poema,
Pois transcende o mundo real.
Entorpecidos em loucas sinapses
Meus neurônios explodem mil ideias
Em relâmpagos coloridos
E viajo embevecido de encanto
Pela beleza dos contornos de sua boca,
Meus poemas nascem dos devaneios
Dos meus pensamentos não publicáveis.
Pensamentos que, aos borbotões,
Tornam-se sol iluminando
Meu jardim dos desejos inconfessáveis.
Ao contemplar sua boca
Viajo em momento de pura catarse,
Este poema nasce da simples contemplação
De seus lábios carmesim,
Que ora dizem não, ora dizem sim.
E digo mais:
Esse enigma vermelho,
Lindamente desenhado,
Mesmo em silêncio
Fala a mim um milhão de palavras.
domingo, 6 de dezembro de 2009
CARTA
Siento viajar tus ojos y
Es distante El otono.
Pablo Neruda.
Para sempre lembrar
Que não mais existo em ti,
Destruirei todos os vínculos de ternura
Fincados na superfície da lembrança.
Esquecerei o riso abraçado ao sonho,
O ritmo da busca do grito
Ancorado no alpendre da loucura.
Esquecerei a candura de um simples
Gesto lançado ao acaso.
Esquecerei teu nome fora
De minha boca,
Quando muito, um murmúrio, um lamento...
Para sempre lembrar
Que não sobrevivi,
Esquecerei outonos passados
Quando negras amoras sorriam
Nos galhos pejados.
Mas como não imaginar tua boca violácea,
Doce, dulcíssima, na minha (num outono passado)?
Esquecerei que tantas vezes
Celebrei teu nome impunemente,
Vadiando o pensamento malino
Nas madrugadas esferográficas
Em que estrelas invadiam a janela das têmporas.
Ah! Meu canteiro de orquídeas!
Quem te batizou sem alma?
Destruirei todos os vínculos.
Ruminarei todas as mágoas.
Semearei outros sonhos na vitrine de meus olhos.
Esquecerei que minhas mãos navegaram tuas carnes
Desvendando todos os segredos,
Espalhando mel na pele quente,
Derramando vinho nas curvas,
Semeando cerejas e beijos
(mágico ritual de desnudar encantos).
Difícil compreender
A dor de perder
O que não se teve.
Difícil entender saudade
Do que nunca existiu.
Difícil tolerar minha imaginação
Capaz de criar detalhes
De um absurdo.
Hoje, quando observo tua postura de mármore,
Não admito como pude acreditar em mim.
BASTOS, Almáquio. Ciclo do Nada, 1996, p 63)
sábado, 10 de outubro de 2009
CICLO DO NADA
Não tenho vocação para Sísifo.
Pesa-me o ato
De amarrar os sapatos todos os dias
E caminhar rumo ao osso ofício,
Na mesmice de construir escombros.
Animal marcado para morrer,
O matadouro me espera. Sou
O boi resignado no curral
Da angústia.
Observo o passar dos anos:
Numerados e inférteis,
Me convocam à sepultura.
Como conter este ruído
De paredes desabando dentro de mim?
Na contramão dos dias
Viajo e,
De tanto aprender não ser,
Desaprendi saber quem sou.
De fora, quem me olha,
Vê fácil a construção do sorriso.
Porém nada tenho nos bolsos,
Senão o rascunho de uma vida
Com DeFeiToS especiais.
O que mantém na luta é o luto:
Absoluto pudor frente à morte.
Todas as manhãs,
Amarro meus sapatos
E caminho sem caminho
Meu destino tão vulgar.
No ônibus lotado, sinto o odor
Da sociedade (Quem não anda de ônibus
Não sabe o que é coletividade).
Passageiro, visto a paisagem
Com meus olhos: telhas sujas de tempo,
Muros visitados por grafiteiros,
Lixo remexido
Por mãos infames
De quem padece fome.
Meu osso-ofício roído é ruína.
Quero rasgar minha certidão de nascimento
E me esconder de novo
Na barriga de minha mãe.
Eu, aquém de mim mesmo,
Nunca me libertei do assombro
De não ter um passado no futuro.
Se há uma forma de interromper
O ciclo do nada,
Onde o fio da meada?
Nascido na véspera do futuro,
De que me adianta o brilho
Néon do engano
Se não consigo evitar a calvície
De meus sonhos?
Das cavernas,
A angústia me consome.
Da pedra lascada
À Internet,
Nada mudou.
Nos cromossomos
Somos os mesmos:
Pânico diluído nos gens.
Se a cabala fala,
O que me cala é o medo
Que meço a polegadas
No tic-tac de meus dias.
Intriga-me
O ciclo,
Pois sei que neste exato momento,
Em algum lugar,
Alguma coisa acontece:
Alguém está nascendo,
Alguém está morrendo,
Alguém está sendo assaltado,
Alguém está se masturbando,
Alguém está tendo um orgasmo,
Alguém está assistindo televisão,
Alguém está ouvindo música,
Alguém está passando fome,
Alguém está se suicidando,
Alguém está sendo abortado,
Alguém está sendo abandonado,
Alguém em algum lugar está...
E tudo enquanto você lê este poema,
Que não resolve em nada
A construção do mundo,
Mas não anula
A alegria da borboleta
Na ornamentação
Do amanhã que jamais verá.
E eu estou aqui,
Dentro deste planeta
Que, de alguma forma,
Está dentro de mim.
Ou é o contrário?
BASTOS, Almáquio. Ciclo do Nada, Ed. Do autor. Goiânia: 1996 p. 45
Este poema conquistou o 1º lugar no II Concurso Nacional Região de Iporá de Conto e Poesia, uma promoção da Prefeitura de Iporá, Faculdade de Ciências e Letras de Iporá, com apoio da UBE-Goiás e da Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira.
Conquistou também o 2º lugar no 1º Concurso de Poesia Pero Wilson – Março de 1996.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
A SUBJETIVIDADE RELACIONAL DA LEITURA DO LIVRO “CICLO DO NADA”
BASTOS, Almáquio.Ciclo da Nada. Goiânia: 1996. ed. do autor.
Ciclo do Nada é um livro de poemas composto por duas partes, “Estação estéril” e “Estação do Cio”. Existe coerência e correspondência nas partes, embora ocorra “tipos diferentes” de poesia.
Na primeira parte, percebe-se um texto pleno de denúncia social, preocupação com o ciclo que rege a vida, com o esfacelamento e coisificaçao do “eu”. E na segunda,vemos uma poesia que valoriza o erotismo, aquele que é livre, não tem censuras, sem ser vulgar.
As estratégias textuais para esses poemas são percebidas por meio dos títulos que são sugestivos, segundo Salvatore D’ Onofrio, o “ primeiro contato que temos com um poema escrito é a visão de sua configuração gráfica; apresentas-se com uma feição plástica, um todo orgânico, composto de uma cabeça e de vários membros. A cabeça é o titulo, que engloba espacialmente as demais partes do poema, por estar por cima e numa posição de destaque.”(2001, p. 07)
Poemas como “Declaração”, “Ciclo do Nada”, “Ciclo do Sexo”, “Triângulo da bermuda” e “Metamorfose”, tem em seus títulos a indicação do assunto, bem como a construção sintática e gráfica indicam as possibilidade semânticas.
A disposição do verso causa, também, o efeito de sentido: nos verso a seguir temos uma construção, que fornece-nos as várias possibilidades de forma e de sugestão interpretativa que a(s) palavra(s) pode(m) ter:
(...)
No tanque,
d i s
t r a i d a
m e n t e,
ela lava roupas:
saia curtinha
pernas roliças
vento brincalhão.
(...)
(Sonho erótico, p. 73)
Essas estratégias vão nortear toda a criação do Ciclo do Nada. Os seu verso é livre, assim como a sua expressão. Toda a composição é coesa. A capa, por exemplo, é bastante sugestiva. Há o jogo das cores vermelha, amarela, verde e preta formando uma imagem surreal, onírica, que ao mesmo tempo parece com um corpo humano, apresenta ser um monstro, o caos. Poderia ser interpretada como a idéia do ciclo do nada nas artes plásticas.
A inquietude do eu-lírico do poema “ciclo do nada” (mesmo titulo do livro) começa com um verso de forte expressividade: “Não tenho vocação para Sísifo”. Essa negativa nos confronta sobre que sentido tem em repetirmos todos os dias os mesmos atos, seqüência em que a legitimidade das atitudes tem seu significado diluído pela aparente superficialidade das coisas. Esse tema permeia todo o livro, bem como o erótico como no poema “ciclo do sexo” que expressa as relações entre o homem e a mulher, suas “causas e conseqüências”.
Há um universo em cada um de nós, por isso, acabamos por construir a concepção de que a vida acontece a partir de nossa subjetividade, e que o finito só se torna realidade quando nos confrontamos com o outro. Ora, esse “outro” pode ser concebido como outro Ser Humano, ou a Morte, ou o Tempo.
E é no momento da sensibilidade do poetar ou do sentir a poesia que podemos levantar, encontrar e dar sentido a questões que antes não tinham relevância. A insatisfação perante a vida, a fragmentação do ser, fatos simples do dia-a-dia, que não atribuímos o seu real valor são reflexos da nossa passividade como sujeitos no mundo, e revelam a impotência diante do Tempo e do Sistema que nos devora.
Chama, também, a atenção da procura incessante da forma “pura”, isto é, aquela que tínhamos na segurança do ventre materno; ma metáfora de que nunca somos os mesmos desde o momento no qual somos gerados, de que o relógio não pára, e que o homem pouco evoluiu:
“Da pedra lascada à Internet,
Nada mudou.
Nos cromossomos
Somos os mesmos:
Pânico diluído nos gens.”
(Ciclo do Nada, p. 45)
Do que adianta todos os dias seguirmos a nossa rotina, nos adaptarmos ao calendário, nos conformarmos com os feriados e finais de semanas, se não tivermos a consciência de nós mesmos. E, assim, ficamos sem perceber a mazelas e (in)coerências que nos circundam de maneira tal que não podemos, se não mudarmos o mundo, pelo menos tentarmos transformar o que existe em nosso interior.
A angústia da coisificação do sujeito é um dos temas recorrentes no Ciclo do Nada. O engano de que somos seres autônomos é desvelado:
“Somos milhões de “ninguéns”
náufragos do sonho varonil,
milhões de filhos da fruta
que não vingou.
Na espera da ração,
O que nos difere na fila?
Além da farsa, tudo é vão.
Catalogados,
somos apenas o consenso no Censo:
um número no formulário,
um código no computador,
um título de eleitor.”
(Cacos do descaso: panfleto anarquista, p.23)
A poesia neste poema, denuncia, com um “grito rouco”, o sistema sócio-politico-econômico. Há uma não-conformidade com a configuração estabelecida. Se há algo que se pode fazer,
“Arrisco tecer um poema
InCeNdiáRiO, mas,
Quando muito, faísco.”
Entretanto, é através dessa tentativa que essa “não-conformidade” produz efeito. Não calar a boca perante a hipocrisia dos puritanos, não deixar de sonhar, mesmo quando é nos impossível, deixar que o devaneio nos permita alçar vôos de desejos quiméricos realizáveis. Tudo parece um paradoxo, todavia, é possível que na realidade dos sentidos, do contato da pele, dos sentimentos eróticos, a vida encontre no ciclo do sexo o sentido para desconstruir o ciclo do nada:
MOMENTO I
O que falo
não é fala, é falo.
É o que entra em ti
sem abstração
e rompe limites
da umidade superficial.
É a busca
do aconchego uterino,
do visgo guardado
além do hímem
e do medo.
O falo de que falo,
Rígido volume viril,
às vezes, falha.
O sonho, não.
(p. 39)
MOMENTO II
que falo
Não é falo, é fala:
Palavra.
Fórceps no cérebro
buscando o signo,
o símbolo, o selo
do sintagma.
Mágica volúpia
de tecer encantos.
E isto não cabe no corpo:
rompe o útero
a parede do quarto
o muro do quintal
e vira néon
no telhado do céu.
O que sai de mim
e entra em ti
nem sempre é sêmem.
( p. 41)
Essa relação intíma, porém, não se concretiza apenas no corpo. Há, além disso, a relação de idéias, pois é na conjugação dos sentidos e das idéias que pode haver, quem sabe, um ciclo virtuoso, do que se transforma em algo que tenha a irreverência de transgredir, se libertar, se (des)aprender, para serem sujeitos de metamorfoses conscientes que, carecidos de mudar, mudem; de falar, falem; de chorar, chorem; de amar, amem...
METAMORFOSE
Pela manhã,
no vestir a máscara do dia,
me transformo.
Nunca sou o que fui
e jamais decido com antecedência
o que serei.
(...)
Também posso ser água
que lambe rochas nas vertentes
e desvenda segredos
das fendas nos penhascos.
Ontem, fui orvalho.
Despertei com beijos úmidos:
as gramíneas abandonadas nas praças
os ciprestes boêmios
que dormem abraçados às cercas
e as damas-da-noite que perfumam
as madrugadas dos poetas.
Mas agora, ao vê-la assim,
vestida de seda tão leve,
não quero ser neve,
não quero ser jasmim.
Quero se abelha
que trabalha
ou vento sem pudor,
onde você, flor.
(Metamorfose, p.55)
Ora, segundo uma citação em o Ciclo do Nada, do filme “Sociedade dos poetas mortos”,
Poesia não se interpreta, nem se explica.
Não é coisa de livros velhos a ser decorada para exames:
ela está viva, é irreverente, é a chave da imortalidade,
é o que pode impeli-los
de levar uma vida de desespero
impotente e morrer sem ter sabido que viveram.
poesia pode ser sentimento, pode ser a realidade insensível transposta para a realidade sensível. Pode ver, dar significados polissêmicos que nos possibilitam perceber a essência dos seres. Não uma essência imaginada, mas percebida de tal maneira que tornamo-nos capazes de nos despir de quaisquer amarras do que não é liberdade, para nos prendermos, por vontade, àquilo que realmente tem e faz sentido. Não apenas na palavra, porém, com ela e através dela, podemos crer que, junto com o poetar, assim como fez nosso amigo Almáquio, abriremos trilhas por caminhos que, por vezes já foram trilhados, descobriremo-nos sem pudor, pois a vida, apesar de qualquer ciclo, está acima do nada.
Esse nada que se configura como o monstro que nos devora – assim como a capa do livro (óleo sobre tela do artista plástico Ivanor). O nada que nos torna reféns de nós mesmos faz-nos desacreditar que, mesmo com a existência inevitável do tempo que corrói e do Sistema que nos anula e aprisiona na simultaneidade da Vida, há uma criança que nasce, uma chuva que cai, um sorriso sincero, um poema que salva alguém do tédio, “a alegria da borboleta/na ornamentação/do amanhã que jamais verá”
A poesia é então, usando os versos do Almáquio, “questão de vida ou morte”. Pois, não basta apenas reconhecer a incompletude do ser, é necessário doar sentido, como disse Alfredo Bosi : “o Poeta é O doador de sentidos”. Dos sentidos, percebe-se que a complexidade do universo interior do homem vai além do signo. Entretanto, é através dele, o poeta, que nos é revelado os tesouros guardados nos recônditos do coração e da mente profícua de poetas como Mario de Sá-Carneiro, Álvares de Azevedo, Luis de Camões, Almáquio Bastos, Augusto dos Anjos...
Eu e o livro: a Subjetividade Relacional
Quando foi dada a proposta para que escolhêssemos um livro ‘qualquer”, confesso que poderia ter escolhido muitos outros. Porém, preferi fazer o trabalho com o livro Ciclo do Nada. Foram três riscos que corri. Primeiramente, porque era para escolher uma obra que não tínhamos lido. Logo, a natureza do que foi pedido já estava sendo alterada. Segundo, o livro teria que ser, de preferência, narrativo. Ciclo do nada é um livro de poemas. E terceiro, o autor é justamente um amigo da Faculdade de Letras, desafio que me aventurei aceitar.
Falar da minha relação com o livro é, também, revelar um pouco da minha relação com o autor.
Almáquio Bastos Filho é uma grande pessoa que conheci na universidade, em 2000. éramos colegas de Curso e sala de aula. Aquele homem sério, até então, não havia chamado a atenção. Entretanto, precisamos fazer trabalhos e apresentá-los juntos. E foi nesse intervalo que descobri no Almáquio, não apenas um aluno aplicado mas, um homem pleno de sonhos e ambições, sobretudo, um escritor.
A minha reação foi imediata: “ estou tendo o privilégio de estudar com um Poeta!”. Ciclo do Nada foi uma experiência de leitura inédita, posto que eu nunca tinha lido um livro de alguém que conhecia pessoalmente e de convivência. A minha atitude não poderia ser outra – de reverencia e admiração.
Foi interessante conhecer o Almáquio “cotidiano e tributável” e o outro Almáquio “libertário, lírico, desvelador”. Perceber nos “dois” a sensibilidade de um ser humano potencializada em uma obra de arte, acompanhada por sua simplicidade, sinceridade e simpatia.
Em seus versos me emocionei, me aventurei. Depois da experiência de leitura e releituras do Ciclo do nada, constatei que, por trás de rostos “comuns”, existem universos ocultos que se deixam conhecer, em partes, por meio da escrita e que, nesses universos revelados, clareiam-se abismos nos quais, insistentemente, estamos sem rumo, perdidos em nós mesmos, impedidos, quem sabe, do fluir daquilo que poderá ser o instrumento de libertação do outro.
Todavia, Almáquio presenteou-nos com sua singular arte de poetar. O seu lirismo invade nossas mentes, penetrando nos 'abissais” do nosso universo; resgatando o nosso olhar para o horizonte e nos norteando para termos novas perspectivas do que é o Ser. Por tudo isso e muito mais é que posso não falar do livro desse exímio escritor como realmente ele merece, visto que, a densidade dos seus versos deixa-me em silêncio para apenas sentir e abstrair o máximo que a minha sensibilidade pode alcançar. Se ele mesmo diz que é aprendiz de poeta, então eu sou uma que é aprendiz de leitura de poesia.
* Trabalho apresentado em pela, então acadêmica, Elcilene Gomes Moreira, na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, disciplina Português IV, cadeira do Profº. Dr. Agostinho Potenciano, em outubro de 2003.
Referências Bibliográficas:
BASTOS FILHO, Almáquio. Ciclo do Nada. Goiânia:edição do autor. ed. Pirineus, 1996.
BOSI. Alfredo.O ser e o tempo da poesia. 6ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
BRANDÃO. Junito de Souza. Mitologia Grega. vol. I . 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986.
D’ ONOFRIO, Salvatore. Teoria do Texto 2: teoria da lírica e do drama. 1ª ed. 3ª impressão. Ed. Ática, 2001.
terça-feira, 7 de julho de 2009
AULA DE GRAMÁTICA
Membro do corpo docente
Ávido para ensinar flexões do verbo amar,
Pronto para introduzir o conteúdo
na trissílaba paroxitona terminada em "a",
com sílaba tônica de fonema /sê/,
e, impronunciável em público por ser,
semanticamente, considerada um palavrão,
Reprova atitude de aluna que interrompe a aula
e deixa mudo o mesme com a rija caneta na mão:
__Professor, "beijo" é ditongo ou hiato?
BASTOS, Almáquio. Sob o signo de de Eros. Goiânia: 2007. p. 47
Ávido para ensinar flexões do verbo amar,
Pronto para introduzir o conteúdo
na trissílaba paroxitona terminada em "a",
com sílaba tônica de fonema /sê/,
e, impronunciável em público por ser,
semanticamente, considerada um palavrão,
Reprova atitude de aluna que interrompe a aula
e deixa mudo o mesme com a rija caneta na mão:
__Professor, "beijo" é ditongo ou hiato?
BASTOS, Almáquio. Sob o signo de de Eros. Goiânia: 2007. p. 47
terça-feira, 5 de maio de 2009
AUTO RETRATO

Sobra de mim mesmo,
Assombra-me
Perceber a ignorância de ser.
Para espanto do espelho,
Súbito quebro algemas
E declaro alforria
De mim mesmo.
Escravo da liberdade,
Não me libertei
De ser vento,
Luz,
Sonho.
Amigo de duendes,
Sempre soube seduzir
Objetos
E construir escombros,
Insônias, delírios.
Não temo o vôo
De minha metade alada,
Nem o estigma de ser raiz,
Cravado ao chão de mim mesmo.
A proeza de sobrevoar
Telhados de amianto e tédio
Não me consome a fome
De ser homem,
De ser lume,
De ser livre.
Nunca me couberam
Os porões do mundo
E os modos primitivos
De esculpir estrelas.
Insano, sou acima de tudo
Enigma. Desconheço
Meu rosto no espelho dos dias.
BASTOS, Almáquio. Ciclo do Nada, Ed. Pirineus, Goiânia: 1996. p. 21
Assombra-me
Perceber a ignorância de ser.
Para espanto do espelho,
Súbito quebro algemas
E declaro alforria
De mim mesmo.
Escravo da liberdade,
Não me libertei
De ser vento,
Luz,
Sonho.
Amigo de duendes,
Sempre soube seduzir
Objetos
E construir escombros,
Insônias, delírios.
Não temo o vôo
De minha metade alada,
Nem o estigma de ser raiz,
Cravado ao chão de mim mesmo.
A proeza de sobrevoar
Telhados de amianto e tédio
Não me consome a fome
De ser homem,
De ser lume,
De ser livre.
Nunca me couberam
Os porões do mundo
E os modos primitivos
De esculpir estrelas.
Insano, sou acima de tudo
Enigma. Desconheço
Meu rosto no espelho dos dias.
BASTOS, Almáquio. Ciclo do Nada, Ed. Pirineus, Goiânia: 1996. p. 21
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