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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

quinta-feira, 30 de março de 2017

PORQUE ESCREVO



Escrevo não porque seja obrigado a escrever
Não há lei que tipifique arte como obrigação
Escrevo porque só assim
Viajo além de mim
E quando me distancio
Mais me aproximo
Da certeza do que sou

Ofício poético não é fácil
Como pode alguém supor
Há a gestação do texto
Cujo embrião nasce do contexto
Há também o cuidadoso lapidar

A escolha de cada palavra
Assemelha-se à de joias
Preciosidade impar
Seja plural ou singular

Entretanto sei que minha lavra
 Sempre será poema multifacetado
Dividido entre o possível e o desejado

Mesmo assim escrevo porque a poesia
Existe aquém e além do texto
E o versejar é apenas um pretexto

O poema nasce
Na imaginação
E navega livre nas águas das vontades
Ainda que encalhe
Nos arrecifes das impossibilidades

Pequeno Poeta que sou
Bem sei o meu lugar

Mas nem por isso deixarei de poemar. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

POEMA SOBRE O DILEMA DA DUALIDADE




Há sempre uma pequena percentagem de inimaginável.
Milan Kundera







O que guarda o Poeta
Em seu baú de travessuras inconfessáveis?
Pergunta-me a Afrodite
Por pura curiosidade.

Ah, venerável deusa da beleza!
Grandes são os segredos  
Que este poeta guarda encarcerado
Na alcova de seus degredos.

Assim como a caixa de Pandora,
Temeridade abrir inadvertidamente.
Se os deuses puniram Prometeu,
O que fariam a um pequeno poeta imprevidente?

Na verdade vivo um dilema, no mínimo, surreal
Dividido entre mito e realidade
Parte de mim é sujeito simples
Outra parte é plural.

Saiba que as palavras são pífios  
Peões no tabuleiro nesse xadrez imaginário,
mas as metáforas tem poder
De combustível incendiário.
 
Não seria prudente revelar
 O enigma das homéricas fantasias
feitas com frágeis incógnitas metafóricas
Na formação dos alicerces da poesia.
  
A doce loucura de meus ígneos poemas incandescentes 
 Guardados nesse virtual baú proibido
São relatos das oníricas viagens
Pelas fantásticas paisagens da libido.

 

Travessuras inconfessáveis, minha deusa,
São como o brilho do desejo dos pirilampos.
Enquanto outros percebem apenas um brilho luminescente,
Eu vejo vaga-lumes em desejo ardente.

Saiba que poetas também brilham
Quando veem a nudez da musa
E poetizam em versos relâmpagos
Ainda que se encantem por medusa

Bela Afrodite, Todo esse arsenal de loucuras
Faz parte do tesouro secreto
Guardado em meu baú de travessuras inconfessáveis.

Sou um poeta que ama desvendar mistérios
Os quais ficam segredados nesse baú virtual
Sei, por exemplo, dos artifícios de Penélope
Para postergar um iminente martírio sexual.

Sei também os segredos de Capitu,
Madame Bovary, La belle de Jour
E todas as especulações, mentiras e invenções
Que oscilam no espiral de ilações.

Mas as coisas não são tão simples assim, Vênus idolatrada,
Assim como Tomas, padeço dos males
Da dualidade ontológica de cada ser.
Perene é minha angústia poética para desnudar
O pequeno percentual de inimaginável,
O milionésimo de diferente que existe
Na Insustentável leveza de cada mulher.

Bem sei a diferença entre mito e realidade,
E os riscos de se viver nas duas dimensões
Saiba que sofre este poeta a dor real das paixões
Até no desvario fantasioso da virtualidade.







segunda-feira, 20 de março de 2017

IDÍLIO OUTONAL





Acabou o verão. Verás.
A partir de hoje as flores serão outonais.
Mas a flor de verão
Permanecerá belíssima em qualquer estação.

Todos os dias, o beija flor de meu idílio
Continuará sua rotina matinal,
Fazendo festa em meu quintal.

A cada romper da alva,
O sol iluminará  meu jardim com lúmens de fantasias
Espalhando luz na flor de meus desejos.
Eu, poeta beija flor, cuidarei das metáforas e dos beijos
Nas rosadas pétalas orvalhadas de poesia.

terça-feira, 14 de março de 2017

CELEBRAÇÃO (Porque todo dia é dia de poesia)



De vez em quando Deus me tira a poesia
Olho pedra, vejo pedra mesmo.
Adélia Prado.

Nem sempre é verão em meu coração
Acostumado às intempéries
Sobrevivo aos temporais dos dias
Mas peço
Não me tirem a poesia.

Em manhã que falta sol
Em noite que falta lua
Sou mais susceptível à melancolia.

No meu entendimento
O que difere o homem do nada
É a sua jornada.
É no caminho que se aprende
Cultivar rosas
Não obstante os espinhos.

De que adianta
A força bruta se nossa maior labuta
É contra nós mesmos?

Minha vigília perene
Tem cheiro de profecia
Sexto sentido não é exclusividade feminina
É leitura de vírgulas e entrelinhas.

No afã de ser um ser melhor
Sou, antes de tudo, pedra esculpida.
Na mão do artífice a solução
Para a dureza de meu coração. 


Fotografia http://www.entreculturas.com.br/2010/11/exposicao-celebracao-da-natureza/