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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

DIA DE SOL, DIA DE POESIA



O inexplicável existe

Acredite

A vida não é lógica

Matemática mente



Não obstante a arrogância das científicas certezas

Basta-me o enlevo que sinto

Mesmo quando, à deriva, navego correntezas

E a poesia é prova que não minto.



Certo estou que todo dia é dia de poesia

Assim como sempre é dia de sol em qualquer estação

Seja equinócio de primavera

Ou solstício de verão.



Para mim musa é deusa idolatrada

Cuja alquimia dispensa explicação.

Um simples raio de sol sobre a face encantada

Faz reluzir áurea magia em profusão.



quarta-feira, 19 de julho de 2017

CHAPEUZINHO VERMELHO PARA MAIORES (Poema Prosaico)


Não guardo segredo

Sobre meu insano degredo.

Sempre que posso

Deserto-me da realidade

Pelo simples prazer

De voar nas asas da liberdade .



Um dos méritos da poesia

É singrar livre nas águas da fantasia.

Assim, dias atrás noutro poema que escrevi,

Você apareceu-me vestida de Chapeuzinho Vermelho

Passeando num imaginário parreiral

Totalmente livre das amarras do mundo real.


Naquele instante, alvejado pelos dardos do encantamento

Prostrei-me, silente, sem entender o motivo do endeusamento.

Você caminhava a passos leves.

Na verdade não sei se caminhava ou levitava,

Mas sei que eu, vencido pelo êxtase do enlevo surreal

Declarei amor àquela visão paradoxal.


Por instantes, detive-me apenas a observá-la,

Mas, subitamente, ardeu-me um desejo incontrolável de amá-la.

Distante e linda, alheia e alhures

Você se ocupava colhendo uvas dulcíssimas

E eu, possuído de encanto, naquele rompante incendiário

Fiz do parreiral um santuário.



Se você soubesse

O tamanho de meu desespero

Deixaria cair aquela capa carmim

E ficaria vestida apenas chapeuzinho.

Por capricho posaria nua com a cesta de uvas na mão

E o poema seria literária solução.



Ipso facto pergunto qual o papel da poesia

Não fosse a possibilidade da magia?

Somente assim, eu poeta chinfrim

Ouso dominar o vento e mover a capa carmim

Até pousar meus olhos embevecidos na beleza imaginada

Cuja perfeição sob a luz do sol se faz revelada.



Mas sei que meu delírio de lobo mau

Esbarra numa realidade abissal.

Não fosse isso

Nem as demais barreiras do abisso

Meu texto seria apenas sonho em forma de poema


E meu poético desejo, tão somente, metafórico dilema. 


quinta-feira, 13 de julho de 2017

CHAPEUZINHO VERMELHO




Continuo aqui

Colhendo feixes de luz

Por entre as frestas das folhas

Das parreiras de minha imaginação.


Ao meu alcance,

Cachos de uvas maduras,

Dulcíssimas,

Convidam-me a provar delícias inimagináveis.


De repente, uma brisa suave

Me faz um carinho na face

Como se me sussurrasse

Lembranças de loucuras impublicáveis,

Vividas num verão passado.



Das sombras das lembranças

Sobraram esperanças.


Destarte,

De um feixe de luz faço um laço

E do nó do meu desassossego

Invento a possibilidade do abraço.


De repente, mágica mente,

Como num conto de fábulas

Vividas nas minhas insanas fantasias,

Chapeuzinho vermelho, adulta e feliz,

Me oferece uvas maduras, loucuras e poesias.


O poema se faz assim,

Alquimia de fantasia

Misturada com um pouco de realidade

E muito de mim.    








terça-feira, 11 de julho de 2017

RECADO POÉTICO




Velo teu sono

Com este verso

Feito de lúmens imaginários

Esculpidos com palavras colhidas

Num mosaico de pirilampos encantados.



Num painel de estrelas cintilantes

Escrevo teu nome impunemente

Com a certeza de que amanhã

Quando acordares

Apenas eu saberei

Que durante toda a noite

Estive ao teu lado e te beijei.



Acordarás linda e serena

Inocente de minha vigília

E ao leres este texto

Talvez nem perceba a poesia

Nascida de minha agonia.



terça-feira, 4 de julho de 2017

SONETO FEITO DE SOL




Nessas manhãs de frio invernal

Minh’alma se veste de melancolia

E me exige um mantra matinal

Em invocação ao calor da poesia.



Se densas nuvens pairam no céu

E nublado amanhece meu coração

Abro as janelas da mente, livres de véu,

E evoco as lembranças do sol de verão.



Sei que o universo conspira a meu favor

E as lembranças se tornam nítidas, reais.

A luz do sol ilumina e traz calor



E me restaura com o brilho que me seduz.

Assim, de repente, sob a magia de êxtases sensoriais,

Me acontece a poesia, trazida num simples feixe de luz.     

quinta-feira, 29 de junho de 2017

COLHEITA



Viajante de hemisférios oníricos

Amo colher paisagens com os olhos.

Vivo de viver as idílicas delicias

Em eventos de Carpen Diem empíricos.



Acostumado a surfar na cauda de estrelas cadentes,

Não me conformo com slow motion de emoções.

Preciso existir além do cabe em mim
,
Ainda que seja script de pantominas incandescentes.


Sem bússola, sem norte, sem destino

Sem saber das mil possibilidades das insanas travessuras,

Guiado tão somente por meu louco desatino
,
Pousei no paraíso, meu doce pomar de loucuras,



Como meu sexto sentido “não pega” de primeira

Tentei decifrar as regras nas entrelinhas
.
Tudo em vão, pois, não bastasse as nuvens de mistérios,

Restava decifrar os enigmas do deus das vinhas.


Se Eva viu a uva e não a maçã

E pelo fruto ela enlouqueceu

Sei que minha luta será vã

Por causa do fogo roubado por Prometeu.



De repente vejo minha Afrodite surgir resplandescente

Caminhando absorta no meio do pomar
,
Sobre o corpo nu apenas um véu de luz transparente,

Insinuando sua beleza de deusa sem par.



Num átimo, recolho-me intimidado

E ocupo-me à tarefa maravilhosa de contemplar

A deusa caminhando de modo descuidado

Como quem não tem com o quê se preocupar.



De repente ela detém-se a examinar

Alguns cachos de uvas prontos pra colheita
.
Ela os colhe com cuidado, pra não os machucar

E sob a parreira pejada a musa se deita.



Embevecido saio de minha trincheira imaginária

Certo de que a deusa não vai me perceber
.
Tolice minha. As deusas têm sensibilidade extraordinária

E veem limites que os mortais não podem ver.



Pego em flagrante por delito de encantamento

Sou condenado a colher as uvas no corpo da Vênus
.
Réu confesso, cumpro sem queixas meu apenamento

Com a certeza que não quero a liberdade por bônus.


Com calma poética colho uva por uva

E por último retiro o véu de luz
.
Diante de meus olhos a beleza da vulva

E todos os relevos que me seduz.



Algemado pelos grilhões da paixão

Selo com longo e louco beijo minha sentença

Certo que nada, nem ninguém, me livrará da prisão

Que a poesia me condenou de nascença.



sábado, 24 de junho de 2017

DA SAGA DE SER EU




Sou emocionalmente dependente de inspiração

Se me falta lampejos de magia

Falta-me também o elã vital da poesia.

É como se me furtassem o ar

Que preciso para respirar

E eu preciso escrever

Para sobreviver.



Minha saga é ser assim

Escravo da liberdade

Que me algema e me liberta

E me eleva ao olimpo sem eu sair de mim.



Mas nada disso é segredo

Sou réu confesso

Porque não minto nem omito

A realidade de meu degredo.



Na prateleira das incertas certezas

Guardo meu dossiê

Acessível a quem me lê

São páginas e páginas.

De concretas abstrações

Diálogos, monólogos e solilóquios

Relatos sinceros de minhas emoções.



Quando viajo no vão de minhas ilusões

E me abrigo incólume no oásis de meus devaneios

Sou perfeito até nas minhas imperfeições

E te amo inteiro, sem vírgulas, reticências e receios.