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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

REFLEXÃO SOBRE O SIGNIFICADO DA PALAVRA MUSA


Quando estou entregue às divagações
Costumo brincar de desnudar palavras
Só para ver as reações.
Nuas, como saem do dicionário,
Elas revelam apenas o necessário.

Entretanto, cada palavra tem muito mais
Além do singelo significado que ela traz.
O plus depende do contexto
Ainda que seja tão somente um pretexto.

É comum ao dicionário falhar
Na sua valiosíssima função de definir,
Simplesmente porque toda definição
É técnica, pautada no significado cru,
Sem emoção de força motriz.

A poesia não se alimenta
De sentido sem sentimento.
Quando a palavra não fala,
É a alma do poeta que se cala.

Por exemplo:

Hoje resolvi brincar com a palavra musa
E descobri o que minha alma de poeta já sabia.
No dicionário pouco há que me seduza,
Porque é apenas substantivo feminino, sem magia.

Já no texto poético a palavra sobeja beleza
E emana encanto sem igual.
Não há como ignorar a grandeza,
Seja ela feminino, singular ou plural.

Eis aí a razão de meu lírico desespero
Ao ser impactado pela magia do encantamento.
Não é à toa o labor poético com esmero
Quando a poieses se manifesta em sentimento.

Ser musa é mais que ser deusa, filha de Zeus,
Presa no Olimpo, nas páginas da mitologia.
É ser mulher real que encanta e seduz os olhos meus
E por isso se torna deusa em minha poesia.

A simples pronúncia da palavra é inspiração,
Fonte de insanos desejos e singela ternura
Que faz meus hormônios entrar em erupção
Ou meu coração quedar-se embevecido de candura.

Musa é face amiga, beleza contida e respeitada
Encantamento guardado na contemplação.
Musa é fêmea no cio, pelo poeta desnudada.
É volúpia vencendo o pudor, é amor em ação.

Eis aí a minha definição poética
Da palavra que não é muda, mas é musa que fala.
Paradoxo para alma insensível ou cética,
Mas que para mim é avalanche de encantos
 Que meus alicerces abala.

terça-feira, 4 de abril de 2017

DILEMA ENTRE O DESEJAR E O QUERER





Estou dividido entre o desejar
E o querer, mas esse é um dilema
Que não pretendo resolver.

O querer sempre me leva
A uma realidade objetiva,
Cujos destinos finais são pontos cardeais.

O desejar me eleva
À pluralidade permitida
E ao êxtase das possibilidades sensoriais.

No querer somente subo às alturas
Degrau por degrau,
Viajando lonjuras de modo racional.

O desejar me permite levitar
E nas asas do devaneio
Alço voos inimagináveis
E chego aonde desejo chegar.

No querer, por mais que eu queira
Um exílio perfeito, sou refém
Dos meus defeitos.

No desejar sou dono do leme e dono do mar.
Minha bússola é o irreverente assobio dos ventos
E meu destino é qualquer lugar onde eu possa sorrir e amar.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

DIALÉTICA DOS SENTIMENTOS


Na dialética dos sentimentos
Pergunto, em pensamento, ao seu coração:
O que nos une?

Quanto a mim,
Entendo que quando meus olhos
Lampejam encantamentos
Ao contemplarem a
esfuziante beleza
seu sorriso,
O que é isso senão poesia?

Quando a distância nos desencontra
E deixa meus olhos longe do
s seus
E faz arder no peito o enigma da saudade,
O que é isso senão poesia?

Quando meu corpo pede seu corpo
E as lembranças me queimam
Como achas crepitantes,
Fazendo-me perder o juízo
Em versos inquietantes,
O que é isso senão poesia?

Mas também,
Quando nossas mãos se tocam e passeiam recíprocas
Numa entrega sem receios
Pele reconhecendo pele
Cheiro se juntando a cheiro
Fusão perfeita de desejos
Em sinfonia de acordes plurais,
O que é isso senão poesia?

Qualquer seja a conjuntura
Seja na mesma cama
Ou juntos até nas lonjuras,
Compartilhando encantamentos
E deliciosas loucuras,
O que é isso senão poesia?

É a poesia que nos une 
Porque é lâmpada que acende o
Brilho dos meus olhos
Com o brilho dos
olhos seus.

quinta-feira, 30 de março de 2017

PORQUE ESCREVO



Escrevo não porque seja obrigado a escrever
Não há lei que tipifique arte como obrigação
Escrevo porque só assim
Viajo além de mim
E quando me distancio
Mais me aproximo
Da certeza do que sou

Ofício poético não é fácil
Como pode alguém supor
Há a gestação do texto
Cujo embrião nasce do contexto
Há também o cuidadoso lapidar

A escolha de cada palavra
Assemelha-se à de joias
Preciosidade impar
Seja plural ou singular

Entretanto sei que minha lavra
 Sempre será poema multifacetado
Dividido entre o possível e o desejado

Mesmo assim escrevo porque a poesia
Existe aquém e além do texto
E o versejar é apenas um pretexto

O poema nasce
Na imaginação
E navega livre nas águas das vontades
Ainda que encalhe
Nos arrecifes das impossibilidades

Pequeno Poeta que sou
Bem sei o meu lugar

Mas nem por isso deixarei de poemar. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

POEMA SOBRE O DILEMA DA DUALIDADE




Há sempre uma pequena percentagem de inimaginável.
Milan Kundera







O que guarda o Poeta
Em seu baú de travessuras inconfessáveis?
Pergunta-me a Afrodite
Por pura curiosidade.

Ah, venerável deusa da beleza!
Grandes são os segredos  
Que este poeta guarda encarcerado
Na alcova de seus degredos.

Assim como a caixa de Pandora,
Temeridade abrir inadvertidamente.
Se os deuses puniram Prometeu,
O que fariam a um pequeno poeta imprevidente?

Na verdade vivo um dilema, no mínimo, surreal
Dividido entre mito e realidade
Parte de mim é sujeito simples
Outra parte é plural.

Saiba que as palavras são pífios  
Peões no tabuleiro nesse xadrez imaginário,
mas as metáforas tem poder
De combustível incendiário.
 
Não seria prudente revelar
 O enigma das homéricas fantasias
feitas com frágeis incógnitas metafóricas
Na formação dos alicerces da poesia.
  
A doce loucura de meus ígneos poemas incandescentes 
 Guardados nesse virtual baú proibido
São relatos das oníricas viagens
Pelas fantásticas paisagens da libido.

 

Travessuras inconfessáveis, minha deusa,
São como o brilho do desejo dos pirilampos.
Enquanto outros percebem apenas um brilho luminescente,
Eu vejo vaga-lumes em desejo ardente.

Saiba que poetas também brilham
Quando veem a nudez da musa
E poetizam em versos relâmpagos
Ainda que se encantem por medusa

Bela Afrodite, Todo esse arsenal de loucuras
Faz parte do tesouro secreto
Guardado em meu baú de travessuras inconfessáveis.

Sou um poeta que ama desvendar mistérios
Os quais ficam segredados nesse baú virtual
Sei, por exemplo, dos artifícios de Penélope
Para postergar um iminente martírio sexual.

Sei também os segredos de Capitu,
Madame Bovary, La belle de Jour
E todas as especulações, mentiras e invenções
Que oscilam no espiral de ilações.

Mas as coisas não são tão simples assim, Vênus idolatrada,
Assim como Tomas, padeço dos males
Da dualidade ontológica de cada ser.
Perene é minha angústia poética para desnudar
O pequeno percentual de inimaginável,
O milionésimo de diferente que existe
Na Insustentável leveza de cada mulher.

Bem sei a diferença entre mito e realidade,
E os riscos de se viver nas duas dimensões
Saiba que sofre este poeta a dor real das paixões
Até no desvario fantasioso da virtualidade.