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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

TOTEM EM MEMÓRIA DA FÉ, ÉTICA E MORALIDADE



Dou a mão à palmatória
Mas não me rendo.
Minha trincheira de resistência
Será o marco de minha dignidade.
O século XX passou num piscar de olhos
E nem parece que sou do século passado,
De onde venho sem saudosismo, mas trazendo muita saudade.

Hoje sobrevivo numa sociedade contaminada
Por avalanches de ismos abjetos
Por isso faço deste poema
Um totem em memória da ética, fé e moralidade.

Que tristeza ver tantas bandeiras podres
Tremulando em mãos de pessoas que perderam a bússola
E os rumos da sobriedade
Ao se alistarem nos extremistas exércitos
Da nova inquisição.

Os inquisidores estão por todos os lados
Ostentando seus crachás de deboche
Enquanto os sobreviventes que não aceitam
À demonização e morte da família tradicional
Andam de cabeças baixas
 E medem as palavras
Porque sabem que patrulhas de soldados zumbis
Ocupam os corredores do mundo
Caçando "bruxas" acusadas de diversos preconceitos gramaticais:
Diversidade em gênero, número e grau.

De longe se ouve o coro dos passageiros do barqueiro Caronte
Entoando máximas inspiradas no cânon da unilateralidade.
Mas não me interessa as bandeiras extremistas
E os ranços ideológicos dessa nova sociedade.
Sei que o tempo cuidará de fazer o expurgo
Lançando na latrina dos degetos escatológicos
O que não passar pelos filtros do amor, perdão e bondade.

Sétimo poema do desafio #quasresmapoética

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

REPENSAMENTO



Considerando a possibilidade
De mudar minha reputação
Penso que talvez fosse prudente
Deletar meu acervo de poemas
Eivados com seivas de alquimias
Sob a égide da emoção.

Com apenas um toque na tecla DEL
Faria inexistir todo meu passado poético sob suspeição
E colocaria um ponto final na trajetória de degredos voluntários
Alegres alegorias metafóricas
Viagens em voos imaginários
Mitos, musas e amores de verão.

Por fim
Expurgados os poéticos pecados
Rascunharia uma tese
Sem mácula de poesia
Seriam textos isentos de metáforas

Despidos de fantasias
Nua realidade
Em retratos da vida em agonia.

Os artigos totalmente nus
Versariam sobre sustentabilidade
Balas ditas perdidas
Questionáveis ideologias
Dentre outras mazelas
Catástrofe nacional.

Eu deixaria de ser poeta
Para ser um técnico da escrita
Dedicadíssimo relator
Exegeta da razão
Especialista em esmiuçar o intestino das coisas
Mas sem amor, sem emoção.

Por enquanto,
Melhor permanecer no futuro do pretérito
Mesmo sob ameaça da inquisição.



Sexto poema do desafio #quaresmapoética

domingo, 18 de fevereiro de 2018

POESIA EM FORMA DE LUA


Às vezes
No meio da noite
A poesia insiste em me acordar.
Ela me cutuca
Sussurra coisas aos meus ouvidos
Puxa o edredom.
Tento ignorá-la
Me viro de lado
E finjo dormir
Mas o barulho intermitente
De goteira martelando pensamentos
Lembranças... vontades... sentimentos...
Me obriga a levantar.
Saio do quarto e anoto tudo
No celular, no computador ou
Em uma folha de papel deixada sobre a mesa para essas emergências.
Feito o registro
Volto para a cama e pego no sono
Pesadamente.
E ela, a poesia,
Volta a sua forma de lua
Imponente, mágica e linda
E passa o restante da madrugada
Espargindo seu brilho silencioso
Até o sol acordar.

P.S.
Este poema que você está lendo agora
Nasceu de parto normal
Na madrugada passada.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

EU E MEUS EUS




O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Fernando Pessoa


Há muitos eus em mim.
Por um lado
O eu lírico que me habita
Poetiza minha saga
Mas sabe de minha desdita.
Noutro viés
Outros eus digladiam entre si:
Santo versus profano
Nobre versus plebeu 
Múltiplas faces
De um único eu.
E nessa diversidade surreal 
Sou a soma de meu ideal.

Todos os dias
Uma parte de mim se ocupa em colher estrelas com as mãos
Essa parte sabe colher a delicada beleza das orquídeas
Viaja na imaginação
E sempre navega na cauda de cometas
Como se tivesse o destino das mãos.
Já a outra parte vive algemada pelo relógio
Cumpre horário
Paga boleto
Sabe a hora de chegar e a hora de partir
Sem poder decidir.
Essa parte de mim
Se divide na angústia
De ser livre ou ser normal.

Sou essa pessoa multifacetada
Dividida em mim mesmo
Mas não esmo.
Paradoxalmente,
Sou raiz cravada na realidade inevitável
Remanescente que se renova dia a dia
Cumprindo no osso ofício diário
O ciclo de cada estação.
Mas também sou ave de arribação
Acostumado a voar lonjuras
Pousar em ninhos distantes
Colher horizontes com os olhos
Ser amigo do rei em Pasárgadas errantes.

Na minha receita de felicidade  
Prefiro a leveza
Insustentável de meu ser.
Gosto de viver a parte que me cabe no Olimpo 
Sem medo de saber o que soma
O que sobra, o que é sombra
Ou assombra.

Minha parte normal é simples
É contida, é formal. 
A outra parte, a que não cabe em mim,
É irreverente, é plural.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

QUARESMA

Assumo as cinzas da quarta feira
Não aquelas sem reflexão.
Quero a quarentena verdadeira
Que mova e renove
Meu coração.

Terceiro poema do desafio #quaresmapoética

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

DECLARAÇÃO DE AMOR




Amo teu riso e teu sorriso
Como se ama uma obra de arte.

Encanta-me a formosura de teus lábios
Quando desenham um tímido sorriso
E formam uma linda aquarela silenciosa.

De igual forma me encanta
Teu riso em avalanche de espontaneidade ruidosa
Brotado na explosão de uma gargalhada deliciosa.

Na verdade
Quando contemplo tua boca amo-te inteira
Batom cor de vinho, lábios com sabor de uvas maduras
Colheita de sabores e belezas no mito da pejada parreira
Plurissignificação e possibilidades de mil travessuras.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

SUPERLUA AZUL



Esperei-te com meus olhos acesos
Na esperança de confidenciar nossos segredos
Mas não aparecestes para mim.
Meu travesseiro
Sabendo de meu desespero
Sussurrou-me mistérios
Insondáveis quando adormeci.
Na minha agenda com Morfeu
Não tinha pauta para realidade
Só então entendi de verdade
Que nada sei de mim
Que nada sei de ti.

 Foto: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/superlua-azul-de-sangue-fotos.ghtml