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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

INVERSOS



Tem certos dias
Que não me dou bem
Comigo mesmo.
Para evitar o confronto
Evito o espelho
Mas ele me olha de soslaio
Insistindo em me espreitar.

Em dias assim
Papéis não aceitam palavras
E poemas passam longe
Ficam lá fora
Pousados em galhos de árvores
Feito pássaros agourentos
Esperando o azedume passar.

Se meu dia
Amanhece sem sal e sem sol
Melhor ficar recluso
Dentro de mim mesmo
Ouvindo o som do silêncio.

Em dias assim
Quando me falta alfenim
Amar-me torna-se amaro
E os versos
Ainda que diversos
Parecem inversos. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

SOM DO SILENCIO



Palavras são caminhos
Que encurtam distâncias.
Silêncios são palavras
Pronunciadas em pensamentos.

Se na longa noite escura
Visitei teu sono
E no sonho eu te beijei
É porque não me contive de saudade
E no silencio ruidoso de meus pensamentos
O teu nome pronunciei.  


sábado, 13 de janeiro de 2018

QUE SAUDADE DE MIM



Que saudade de mim
Nos tempos dos carrinhos de rolimã.
Tardes livres depois da escola,
Oportunidades para jogar bola,
Subir em pé de manga
Fazer festa com fruta temporã.

Que saudade de mim
Em minha feia adolescência.
Sempre preterido pelas meninas
Sem chances de acasalamento 
Condenado pelos complexos
Ao exílio da inocência.

Que saudades de mim
Na descoberta da poesia.
Mágico de Oz de mentirinha
Recitava versos apaixonados
Para a bruxa má e também
Para a fada madrinha.

Que saudade de mim 
Quando estatuto da criança e adolescente
Era ser bom filho,
 Respeitar os mais velhos, 
Ser trabalhador,
Ser pessoa decente.

Que saudade de mim
Quando não se demonizava
O trabalho infantil.
Engraxando sapatos  
E capinando lote baldio
Ajudava a família
E me livrava da possibilidade
Da delinquencia juvenil.



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

EU, ODISSEU



Noites iluminadas me convidam a viagens
Incríveis no universo interestelar.
Poesias lunáticas têm poderes inimagináveis
Mas nem todos conseguem divisar.

Não revelarei a ninguém
Os descaminhos de liberdade e doces loucuras
Perscrutados por meus pensamentos
Quando fico a sós com lua
Esculpindo maravilhosas travessuras.

No silencio de meus devaneios
Cavalgo cometas arredios
E nunca desisto de meus anseios
Secretos, lindos e vadios.

O que você não sabe de mim revelarei agora, secretamente.
Sou poeta fujão, admito, mas não fujo sozinho.
Sempre levo você comigo na minha mente
Mas advirto que não sou menino bonzinho.

Saiba que meu escaninho de malvadezas
É riquíssimo em ingredientes para praticar alquimia.
Sei misturar ingenuidade, encantamentos e safadezas
E fazer peraltices com ternura, beleza e magia.

Nunca me dou por vencido quando peripécias
Adiam minha sina de Odisseu.
Sou guerreiro paciente, não me rendo a inércias.
Minha Odisseia fui eu quem a escreveu.

Quando ficamos a sós na lua, oásis de meus degredos,
Desperto em você a face secreta de Vênus.
Nas deliciosas travessuras tecemos mil enredos
Ígneos poemas que juntos escrevemos.

Feche seus os olhos agora, ouça ulular o silêncio e acredite
Nos sonhos sonhados a dois o limite é a cumplicidade.
Em nossas secretas traquinagens eu a chamarei de Afrodite
Mito e realidade na deusa da beleza, do amor e da sexualidade.   


12-01-2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

DIALÉTICA DA CUMPLICIDADE



Quando meu olhar se perde
Ao encontrar-se com o seu
Consumam-se sinapses misteriosas
Encontro tudo onde nada se perdeu.

Homem e mulher se complementam no encaixe
Encaixe de ideias e ideais
Fendas, Falo, falas, sonhos, tudo que se ache
No ideograma de pessoas normais.

Mas não decifre todos os meus segredos
Para que sobrem mais mistérios
Pois nas sombras dos saberes
É que se desenham os enigmas dos enredos.

O que mais belo sei de você
Sei pela leitura de silêncios
Liames alinhavados
Sob a égide da cumplicidade
Soma de vontades
Que se completam nas asas
Da liberdade.

Na arte de cativar
Revelo-me pouco a pouco
Sou riacho silente de águas tranquilas
E nas profundezas vou rolando seixos no perau 
Verso por verso desnudo-me por inteiro
Revelo-me por metáforas no singular e plural.

Bem sei que não sei
Todos os saberes das possibilidades
Mas o que dessedenta
Minha sede de sabedoria
Além da empírica soma de dias à idade
É minha natural vocação para a poesia.

Se a física quântica não explica
A beleza da química dos sentidos
Palavras lavradas com silêncios traduzem
Em versos os ígneos mistérios dos desígnios.

Quando meus lábios tocam os seus
Acendem-se em mim clarões de fantasias.
De olhos fechados, mas livre de medos e véus
Leio as entrelinhas no acervo de alegorias.

É no escopo dessa fala silenciosa
Que se atam os nós da intimidade
Falar sem pronunciar palavras
É dialética de cumplicidade.

09012018

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

MEU JEITO INFINITIVO DE SER



Como não amar
Os reflexos de luz esbranquiçada
Que vazam por entre folhas de parreira
Na vinha de meus devaneios
Nas noites de lua cheia?

Como não me inspirar
Quando meus olhos colhem lampejos dos teus
E na troca de olhares
Faíscas acendem em mim o fogo dos deuses
Roubado por Prometeu?

Como não me encantar
Com a moldura de teus lábios
Desenhando sorriso de deusa
E colorindo com magia
Todas as nuances possíveis de beleza?

Como não desejar 
A maciez de tua pele de pêssego
Metaforizada na textura de pétalas
Da orquídea que adorna teu corpo
De ninfa fugitiva do Olimpo?

Como não me iludir
Com os mágicos poderes da poesia
Que na festa dos feitos fantásticos
Mistura semântica, sonho e fantasia
Na consumação da alquimia?

Amar, inspirar
Encantar, desejar, iludir...
Infinitos defeitos no infinitivo.
Meu jeito tosco
De existir.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PERIGEU LUNAR





Desculpe-me não tê-la convidado

Para contemplar comigo

O perigeu lunar no primeiro dia do ano.

Eu precisava desse momento a sós com a 

Superlua;

Tínhamos segredos para compartilhar.

Nós, poetas, costumamos

Interagir com estrelas e satélites.

Há diálogos

Que não se consumam no reino das palavras.

Nos solilóquios viajo dimensões oníricas

E onde faltam palavras sobram asas.

Simples assim.