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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

POEMA CEM PROPÓSITOS

Às vezes
O poema acontece
De forma inesperada
Embora se espere sua chegada.
No texto
Fora do contexto
Um simples
Boa noite pronunciado
Pode conter uma centena de desejos
Não declarados.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

VERSOS PERVERSOS




Minha mente vagueia 
Malandramente
Toda vez que tua voz me chega
Em sussurros insinuantes
Cheio de promessas de travessuras
Inquietantes. 

São nessas horas incertas
De espera
Que escrevo meus versos 
Mais perversos e flamejantes.

A distância entre a promessa 
E o momento da festa 
Pode ser de horas, minutos ou segundos
Que minha mente travessa
Atravessa meio mundo.

Admito,
Sou dependente de metáforas
Para declarar minha alforria.
Por isso bebo o vinho do sonho
No oásis da fantasia.

Contigo sou rei
Na Pasárgada que conquistei.
Tu fostes
Tu és
E sempre serás
Inspiração para as maiores loucuras vividas
Em prosa e versos 
De minhas deliciosas travessuras.

Somente em ti, 
Idílica poesia,
Faço virar realidade 
O que seria apenas fantasia

sábado, 19 de maio de 2018

Sábado, 19 de maio de 2018

Noite fria
Chuva fina caindo lá fora
Gotas de promessas de flores e frutos fora da estação.

Noite fria
Chuva fina caindo lá fora
Barulhinho bom no telhado
Melodia gostosa aquecendo meu coração.

Noite fria
Chuva fina caindo lá fora
Sol no pensamento
Vontade de voar sem medo
Nas asas do vento.

SILÊNCIO DE ESTRELA




És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
                                                                                             Pablo Neruda

Ontem a noite
Quando eu garimpava estrelas com os olhos
Vi o brilho do teu olhar
Refletido no brilho do céu.

Impactado em meu intergaláctico silêncio
Disse para mim mesmo
Em pensamento:
Neruda tem razão.
E sorri melancolicamente.

Ah, se todos sentissem
Ao menos um pouco do que os poetas sentem
A vida seria menos triste.

Gyn, 19/05/2018



quinta-feira, 17 de maio de 2018

FÊNIX





Assim como a fênix
Que renasce das próprias cinzas
Após arder-se em combustão
Eu também renasço
De minhas labaredas extintas
Nas cinzas da emoção.

Basta-me um simples lampejo
Da imagem da amada
Para faiscar em meu coração adormecido
Um verso novo, inédito em desejos
Nunca esquecidos.

As brasas que me abrasam
Me devoram
Mas nas cinzas que sobram
Me renovo.

Com o passar do tempo
Não sei o que sobrará de mim em ti.
O esquecimento é uma maneira
De sepultar o amor que não podemos suportar.

Amanhã, talvez, se o amanhã existir
Eu não existirei em ti
Mas eu, das cinzas
Voltarei no poema que escrevi.

quarta-feira, 28 de março de 2018

CONSTELAÇÃO DE ÓRION




Teu olhar e teu sorriso
Tem brilho de estrelas
Constelação de Órion
Ao alcance de minha mão.

Como justificar
O enigma do encantamento
Quando todo o firmamento
Cabe inteiro em teu olhar?

Não tenho razoável explicação
Para essa louca sobriedade
Tento entender a lucidez da ilusão
Na fusão de mito e realidade.

És minha musa, minha obsessão
Meu Sol, minha lua, meu pomar.
Oásis de minha idílica paixão
Inspiração para meu poetizar.

O poeta que em mim existe
Transcende a pessoa que sou
Se minha poética subsiste
Devo a ti, deusa de meu louvor.

Não me negues teu brilho de estrelas
E toda a enigmática magia
Dá-me teu sorriso e teus beijos
Elã vital para minha poesia.

OBSCENIDADES POÉTICAS




Não gosto de medir palavras
Para falar de paixão.
Na construção imagética das alegorias  
Quando o tema é travessuras
Vale palavra, palavrinha, palavrão.

As formalidades que nos encaixotam, 
Apesar de necessárias, tolhem a liberdade
E castram o gene da criatividade.
Todavia, em toda via há contramão.

Não sou transgressor por natureza
Muito pelo contrário.
Desde cedo aprendi a cumprir
Os ritos da moralidade, mas
Não desisti do meu instinto revolucionário.

Agora, por exemplo,
Não estou sendo bom exemplo
Porque transito na via contrária
À da “boa educação”.
Basta-me um lampejo de feminina beleza
Para acender em mim a pira da poesia
E meu espírito de realeza.
O desejo de tão teso
Torna-se tesão.

Ao contemplar tua fotografia,
Gravada na moldura de minha memória
Perco as estribeiras e a boa ortodoxia.
Opto pela alegria das alcovas e
Faço festa nas trincheiras da fantasia.

Saiba que quero tua boca na minha
E todas as possibilidades de beijos.
Também quero ver teus olhos acesos
Fitos no volume indisfarçável do meu desejo.

Depreenderei do teu admirável espanto 
O encanto que escapar de teu olhar
E no teu silêncio altissonante 
Colherei palavras que não poderei publicar.

Aproveitarei teu instante de catarse
Ante a visão da espada de Teseu
E a terei totalmente dominada
Presa sem pressa de libertar-se.

Em outras palavras
Quero tua belíssima nudez
Na brancura dos lençóis
Como se Baco tivesse preparado
Um banquete para nós.

Como na poesia tudo é possível
Transporto-me para o oásis imaginado
E te encontro lindamente nua
Na penumbra do shangri-la desejado.

Proponho-te uma festinha em braille
E antes que me digas “não”
Cubro teus olhos com uma venda
Deixando-te à mercê da imaginação.

Deitada em posição dorsal
De olhos fechados olhando o céu
A cabeça apoiada sobre o travesseiro
É dado inicio ao ritual de levitação.

Teus olhos não veem
Mas teu corpo sente
O sabor do meu corpo
No encontro de bocas nada inocentes.
Beijo-te com ternura.
Beijo-te com loucura.
Ora com singeleza de beijo inicial.
Ora com a volúpia de beijo sexual.
 
Amo perceber a alegria irreverente
De teus mamilos eriçados
Quando são sugados.
Sinto o arrepio de tua pele
Roçar minha língua num carinho delirante
Quando passeio as sendas proibidas
Desvendando teus mais íntimos segredos.

Em teu umbigo
Uma parada obrigatória.
Minha língua vasculha
A pequena fundura
Como se procurasse um novo hímen
Na perfeição da escultura.

Abro tuas pernas com delicadeza
De poeta enfeitiçado pela beleza
E percebo tua intenção
De retirar a venda dos olhos
Mas digo: ainda não!

A penumbra do quarto
Não esconde a formosura da orquídea entrepernas.
Na minha declaração de amor mais sincera
Eu poderia usar palavras formais e delicadas
Ou cantar meu amor numa clássica opereta,
Ao invés disso, digo simplesmente:
Eu amo tua buceta.

Ah, quanto prazer ao pronunciar
A palavra perfeita
Para designar com fiel intensidade
Essa magia impossível de explicar.

Quedo-me extasiado ante a beleza da fenda
Ao olhar os grandes lábios como uma moldura.
Acaricio com a língua a profundidade da senda
E sinto na boca o sabor da tua gostosura.

Observo tuas mãos crispadas no lençol
Como se a espera fosse uma longa agonia
Abro um pouco mais as tuas pernas
E percebo a umidade da racha anunciando poesia.

Não nego que amo olhar a riqueza de detalhes
Da ostra entreaberta como se fosse uma flor sem pudor.
Teu clitóris, pérola rosada, sensível enfeite do entalhe
Sem saber que é o epicentro do esplendor.

Venha voar comigo paisagens inimagináveis.
Vamos brincar de escorregar no arco íris
Ouvir bolero de Ravel
Bebendo Cabernet Sauvignon
Sem máscaras, sem vendas, sem véus.

Meus braços serão tentáculos 
Unindo meu corpo ao teu.
Universos diversos sem obstáculos
Destinos entrelaçados pelo abraço
Fio de Ariadne na saga de Teseu.  

Não me leves a mal
Quando tirares a venda da abstração.
Ainda que finjas estar inocente
Deixe-me levá-la aos píncaros do Zênite
Permita-se surfar na ponta do trovão.

E nessa penumbra de obscenidade
Depois de amar e ser amado
Quero adormecer ao teu lado
E este poema será o totem da minha sinceridade.