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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

domingo, 17 de setembro de 2017

SIMPLES ASSIM






Não escolho palavras

Elas me escolhem

Mas não vem nuas

Trazem em si a carga semântica

Que não conseguiram despir.

Às vezes chegam de chofre

Aparecem de supetão

Mas também chegam de mansinho

E ficam me abeirando

Me olhando, por exemplo,

Pelos olhos de um passarinho.

Simples assim.  



Foto de meu acervo pessoal, fotografada por mim, ontem, no final da tarde, na limeira de meu quintal



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

MEU JEITO DE TE OLHAR


Meu jeito de te olhar
Guarda mistérios
Que não posso revelar

Carrego em mim um pouco de ti
Secretamente em minha mente
Imagens imaginadas, lampejos que vi
Ao meu modo nada inocente

Mulheres sábias sabem
Que poetas tem superpoderes
E tudo que escrevem
É fruto de seus mágicos saberes.

Por isso, ao ver-te sem véus
Com a alma nua e sem medos
Não me considero um semideus
Apenas um poeta que lê segredos.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

DESENCANTO




De vez em quando
Me desencanto
E não me encontro
Em meus escritos.

Quando isso acontece
Nada do que teço floresce
E não me reconheço
Nos poemas encarcerados
Nas gavetas
Povoadas por oníricas viagens
Ao infinito de mim mesmo.

Por precaução
Recolho-me ao silêncio
Dos versos despidos de ígneas metáforas
Para que os que me leem
Mas não me veem
N
ão digam
Que não sei quem sou
Não digam que na ânsia de ser
Me perdi em mim.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MINHA SAGA DE ODISSEU




Tira-me o pão, se quiseres, 
tira-me o ar, mas 
não me tires o teu riso.
Pablo Neruda 


Não preciso fazer mistério

Para dizer que te quero.



Ainda que fosses um sonho sonhado em meu exílio

Ou uma ilusão na dura realidade da lida

Ou então uma miragem fruto do meu pomar de loucuras

A simples contemplação do brilho de teu sorriso

Elevar-me-ia aos píncaros, às alturas.



Bem sei que o Olimpo é paraíso distante

E que este o poeta vive no universo de mortais

Também sei que Ulisses quase enlouqueceu

Simplesmente ao ouvir o canto da sereia

Mesmo assim vou escrevendo minha saga de Odisseu.



Na ânsia de querer-te

Perco-me em maravilhoso desatino.

Num instante, sou veleiro aos revezes do vento

Poeta singrando sonhos à deriva, ao relento

Homem velho vivendo travessuras de menino.



Mostra-me teu riso, peço-te,

Refletido nas faíscas de sol das manhãs

A estética do encantamento e desejo

Se desenha a partir de um simples lampejo.



Não fossem minhas humanas limitações

Visitaria o Olimpo de surpresa

E sem dar satisfação de minhas intenções

Faria de ti a mais linda presa.



Assim sendo, refém de paradoxal sentimento

Consultei meus oráculos, falei de meu desejo

E sem medo de tristeza e arrependimento

Prometi escrever poemas em troca do lampejo.



Não preciso fazer mistério

Para dizer que te quero.



Ao abrir as comportas da minha imaginação

Fiz-me avalanche de ilusões, redemoinho sem freios

Soubesses a intensidade de minha emoção

Não me torturarias com teus rodeios.



Quiçá fossem as deusas por Zeus castigadas

Sempre que provocassem tamanha agonia

Por capricho, elas revelam-se lindas e desejadas

Mas não se permitem além da fantasia.



Mostra-me teus lábios, peço-te mais uma vez,

Ainda que num flash na penumbra do ocaso

Às vezes os grandes sorrisos só se revelam

Longe de indiscretos olhares ao acaso.



Se na intimidade é mais fácil acontecer a magia

E na penumbra o mito não mente

Acenda-se, então, somente o clarão da poesia

Sob a benção da nua lua silente.



Não preciso fazer mistério

Para dizer que te quero.


domingo, 30 de julho de 2017

BILHETE DE DESPEDIDA



Parti, sim parti,

Mas não fui sozinho.

Para o exílio levei comigo

Meu coração vazio de poesia.



Não poucas vezes

Fui ao pomar de loucuras

A sua procura.

Em vão meus pés

Trilharam nos vãos das ilusões

E sem alcançar a magia do seu olhar,

Desistiram de procurar.



Na despedida eu disse:

Hoje não escreverei nada.

Não há nenhum poema em gestação

Em meu coração.



No pomar vazio de você

Não havia a doçura de outrora.

Os frutos, antes tenros e dulcíssimos

Guardavam, agora, sumos amaríssimos.



Sem o sol a iluminar o pomar

Pouco vale a luz do luar.



Sem a beleza da flor de verão

No pomar das ilusões,

Sequer vinga frutos temporões.




Parti, sim parti,

Mas não fui sozinho.

Na bagagem das lembranças,

meu coração em desalinho.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

DESPEDIDA




Hoje não escreverei nada.

Não há nenhum poema

Em gestação em meu coração.


Por ora, apenas recolherei

Palavras que ficaram

Espalhadas em desalinho.


Alguns adjetivos florescidos no verão passado,

Os quais tanto me inebriaram de poesia

E agora parecem não fazer sentido.


Também guardarei em caixas lacradas

Restos de metáforas que me sorriam ambiguidades

Pelo simples prazer de provocar felicidades.


Guardarei ainda alguns verbos

Encarregados de desenhar ações

Sonhadas em pretéritas ilusões.


Se algum dia, do desterro, eu retornar

Pode ser que meu desassossego

Me instigue, novamente, a versejar.


Mas se amanhã, quando o sol raiar,

Um novo verso meu te fizer sorrir

É porque eu desisti de partir.