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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

MÃE É, SOBRETUDO, MÃE.

Quando me proponho fazer poema para as mães
Recorro ao canteiro da língua materna a fim de colher
Palavras que traduzam o sublime e cantem o amor.

Escolho adjetivos delicados, doces substantivos e
Teço versos de fino labor.
Entendo que poemas dedicados às mães
Dispensam vocábulos rudes, tristes, amargos...
Vocábulos que invocam tristeza e rancor.

Com o tempo aprendemos que “não” de mãe
Significa “sim” para o bem,
Ainda que, quando dito, provoque lágrimas, revolta e incompreensão.

Mãe sabe quanto tempo dura uma noite ao lado de um filho que arde em febre,
Tempo em que seus os olhos cansados permanecem atentos, velando,
Ainda que cheios de lágrimas.
Mãe sabe com quantos minutos se faz uma eternidade
Quando se espera um filho voltar para casa, tarde da noite, trazendo com ele
A certeza de que “está tudo bem”.

Por isso, poesia sobre mãe é mais que deleite,
É também responsabilidade e privilégio, principalmente de filhos
Que se submetem ao doloroso, mas necessário, processo de reflexão.

Somente com o tempo se compreende que amor de mãe não tem paralelos.
Compreende-se que sabedoria materna não se adquire em livros ou em palestras de auto-ajuda e
Entende-se que amor rima com dor.

Entretanto,

Como é difícil para os filhos assimilarem tantas lições ditas sem palavras e
Depreenderem mensagens de amor e sabedoria entrelaçadas aos gestos e olhares simples
De mães que não dominam a gramática e tropeçam na concordância,
Mães que nada sabem sobre a tecnologia dos Smartphones,
Mães que não tem e-mail e não sabem para que servem blogs e sites de relacionamento,
Mas
Carregam, na alma, conhecimentos capazes de fazer diferença fora do mundo virtual,
Quando se torna necessário enfrentar a realidade, cara a cara,
Sem os recursos da fuga cibernética.

Somente o amor é capaz de unir universos tão diferentes.

Com o passar do tempo,
(Ah! o tempo.)
Quando nossas mãos não mais precisam de apoio, mas apoiam aquelas que, agora cansadas, outrora nos apoiaram, percebemos, em sua inteireza, que mãe é, sobretudo, mãe.
 
Domingo, 8 de maio de 2011

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