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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

segunda-feira, 27 de março de 2017

POEMA SOBRE O DILEMA DA DUALIDADE




Há sempre uma pequena percentagem de inimaginável.
Milan Kundera







O que guarda o Poeta
Em seu baú de travessuras inconfessáveis?
Pergunta-me a Afrodite
Por pura curiosidade.

Ah, venerável deusa da beleza!
Grandes são os segredos  
Que este poeta guarda encarcerado
Na alcova de seus degredos.

Assim como a caixa de Pandora,
Temeridade abrir inadvertidamente.
Se os deuses puniram Prometeu,
O que fariam a um pequeno poeta imprevidente?

Na verdade vivo um dilema, no mínimo, surreal
Dividido entre mito e realidade
Parte de mim é sujeito simples
Outra parte é plural.

Saiba que as palavras são pífios  
Peões no tabuleiro nesse xadrez imaginário,
mas as metáforas tem poder
De combustível incendiário.
 
Não seria prudente revelar
 O enigma das homéricas fantasias
feitas com frágeis incógnitas metafóricas
Na formação dos alicerces da poesia.
  
A doce loucura de meus ígneos poemas incandescentes 
 Guardados nesse virtual baú proibido
São relatos das oníricas viagens
Pelas fantásticas paisagens da libido.

 

Travessuras inconfessáveis, minha deusa,
São como o brilho do desejo dos pirilampos.
Enquanto outros percebem apenas um brilho luminescente,
Eu vejo vaga-lumes em desejo ardente.

Saiba que poetas também brilham
Quando veem a nudez da musa
E poetizam em versos relâmpagos
Ainda que se encantem por medusa

Bela Afrodite, Todo esse arsenal de loucuras
Faz parte do tesouro secreto
Guardado em meu baú de travessuras inconfessáveis.

Sou um poeta que ama desvendar mistérios
Os quais ficam segredados nesse baú virtual
Sei, por exemplo, dos artifícios de Penélope
Para postergar um iminente martírio sexual.

Sei também os segredos de Capitu,
Madame Bovary, La belle de Jour
E todas as especulações, mentiras e invenções
Que oscilam no espiral de ilações.

Mas as coisas não são tão simples assim, Vênus idolatrada,
Assim como Tomas, padeço dos males
Da dualidade ontológica de cada ser.
Perene é minha angústia poética para desnudar
O pequeno percentual de inimaginável,
O milionésimo de diferente que existe
Na Insustentável leveza de cada mulher.

Bem sei a diferença entre mito e realidade,
E os riscos de se viver nas duas dimensões
Saiba que sofre este poeta a dor real das paixões
Até no desvario fantasioso da virtualidade.







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