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Aparecida de Goiânia, Goiás, Brazil
Escritor, poeta, membro da ACADEMIA APARECIDENSE DE LETRAS e UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES EM GOIÁS.

domingo, 4 de julho de 2010

ESTÉTICA DO DESEJO


Desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo, desejo....Repito a palavra inúmeras vezes até sentir que a pronúncia soa despida de significados. Pura, tomo-a cuidadosamente nas mãos e a deixo permanecer inerte, sem cor, sem brilho, sem forma, sem sentido, presa, unicamente, a etimologia pênsil pelo fio de meu olhar que a mira como a um objeto desconhecido.



A concepção de qualquer palavra acontece primeiramente no mundo das ideias. Ali, a semente de todas pré existe. Antes de ser pensada, pronunciada ou escrita, ela pacientemente aguarda o momento da cópula metafísica, sinapse, quando signo e significante se juntam na formação do embrião que resultará na unidade mínima com som e significado e então poderá representar alguma coisa substantivamente e contentar-se, resignada, ao isolamento dicionário, o que não é pouco.


Mas, se ela se permitir a novas experiências e se acasalar com outras palavras de classes gramaticais diferentes, poderá, por exemplo, em seu acme, explodir-se em um orgasmo semântico na alcova de algum poema.


Isolada, a palavra é apenas palavra.  Desejo, por exemplo, é apenas palavra, ou seja, substantivo masculino, dicionariamente, definível e nada mais que isso. 

Mas em você meu desejo cresce. Por isso, quando olho seus olhos e vejo o que os seus não vêem, na volúpia de meus pensamentos, o paradoxo de concretiza e o mesmo desejo que me cega ilumina meus sentidos.


Isso é poesia.


Vencido, descerro as venezianas de minha mente e caminho rumo a luz da ilusão. Absorto, vejo-a nua na minha mente, não como a uma palavra, mas como a personificação do desejo que me incendeia. Vejo-a nua como a flor que, em manhã primaveril, abre suas pétalas e se entrega, sem pudor, ao beija-flor que a cortejou. Vejo-a nua como uma Ninfa que, distraidamente, povoa pensamentos sem se dar conta dos incêndios que provoca. Vejo-a nua, simplesmente nua, mulher, fêmea linda, musa que tinge de arco-íris meu imaginário.


Assim, desejo é mais que palavra.


Um comentário:

  1. Caro, poeta, onde achou essa réplica tão perfeita: os lábios que a muito não me beijam desplastificados, são os medos do mundo futurista. Mas, desejo é uma palavra forte e eterna. Valeu Campeão!

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