sábado, 26 de junho de 2010

ENIGMA VERMELHO



Mergulhado em silencioso ritual de contemplação
Distancio-me de mim ao pousar meu olhar
Nos delicados contornos de seus lábios.


Quedo-me extasiado ao perceber
O que outros apenas veem
E a poesia lampeja em forma de poema,
Pois transcende o mundo real.


Entorpecidos em loucas sinapses 
Meus neurônios explodem mil ideias
Em relâmpagos coloridos
E viajo embevecido de encanto
Pela beleza dos contornos de sua boca,


Meus poemas nascem dos devaneios
Dos meus pensamentos não publicáveis.
Pensamentos que, aos borbotões,
Tornam-se sol iluminando 
Meu jardim dos desejos inconfessáveis.


Ao contemplar sua boca
Viajo em momento de pura catarse,
Este poema nasce da simples contemplação
De seus lábios carmesim,
Que ora dizem não, ora dizem sim.


E digo mais:
Esse enigma vermelho,
Lindamente desenhado,
Mesmo em silêncio
Fala a mim um milhão de palavras.

terça-feira, 15 de junho de 2010

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA POLÍCIA CIVIL DE GOIÁS



A propósito do artigo da lavra do ilustre deputado Federal Leandro Vilela, intitulado Polícia Civil de Goiás: uma das melhores do Pais, publicado neste conceituado diário, na data de 30/05/2010, faço uso deste espaço democrático para manifestar minha estranheza referente a afirmação, a meu ver, equivocada, no intróito do primeiro parágrafo, que diz: A população do estado de Goiás comemora os 17 anos de fundação da Polícia Civil...(grifo nosso), o que remeteria a sua fundação para o ano de 1993, algo tão inconcebível que acredito em erro de impressão.

Para refutar o ponto de vista destacado na matéria em questão, cumpre-me esclarecer que sou escrivão Policial Civil, o que muito me honra e, na gestão do Dr. Humberto de Jesus Teixeira, ex-Diretor-Geral da Polícia Civil de Goiás, tive o privilégio de integrar a comissão designada por força da Portaria 376/GAB, de 21 de agosto de 2003, que criou uma comissão com a incumbência de levantar dados e/ou documentos junto a Órgãos Públicos, relacionados à criação e à história da Polícia Civil do Estado de Goiás e meu ingresso se deu quando essa comissão original foi alterada pela Portaria 441/GAB/DGPC, de 08 de novembro de 2005, que incluiu três novos membros e estabeleceu prazo de conclusão dos trabalhos.

Diferentemente da maioria das polícias civis dos outros estados brasileiros, a Polícia Civil Goiana não possuía, até então, registro histórico documentado em livro, existindo tão somente na memória de pessoas que viveram a história, como o Dr. Rivadávia Xavier Nunes, ex-Secretário da Segurança Pública do Estado de Goiás (1961-1964), do Delegado de Polícia, ex-Secretário da Segurança Pública do Estado de Goiás e ex-Superintendente da Academia de Polícia, Dr. Miguel Batista de Siqueira, do Inspetor Galeno Nicodemos Braga, dentre outros, ou em documentos diversos e diários oficiais do Estado, restritos a arquivos pessoais, museus ou instituições públicas e privadas.

A comissão ora mencionada ficou, a partir de então, com a seguinte formação: Almáquio Bastos Filho, Bruno Garajau Pimenta, Edna Nascimento e Rosali Divina Siad, todos policiais civis, (vide link: histórico Polícia Civil, no site www.policiacivil.go.gov.br) e, posteriormente, recebeu o reforço do agente de policia civil e instrutor da academia, Hiroshi Gondo Lima.

Durante meses a fio, o grupo se reuniu em uma sala na sede da Academia de Polícia Civil (Gerência de Ensino Policial Civil), localizada na área contígua ao local da antiga Casa de Prisão Provisória, localizada na avenida contorno esquina com av. Independência, Setor Central, Goiânia; espaço este, gentilmente cedido pela delegada Lílian de Fátima Rosa Sena Lima, gerente de ensino policial civil, pessoa que abraçou o projeto com desvelo incomum e ofereceu aos pesquisadores toda a infra-estrutura necessária.

A equipe contou ainda com a atenção e supervisão pessoal do Dr. Humberto de Jesus Teixeira, idealizador do projeto, o qual, sempre que possível, visitava a sala de pesquisa e ouvia dos pesquisadores o relato dos avanços alcançados.

A conclusão dos trabalhos de pesquisa resultou no projeto de livro, fartamente documentado com fotos e fac-símilis de leis datadas desde a época de “Goyaz Provincia”, cujo título sugerido é o mesmo que identifica esta matéria.

Quanto à data de criação da Polícia Civil de Goiás, motivo desta matéria, é importante salientar que sua história confunde-se com a história do estado.

Os registros históricos apontam que os Bandeirantes, vindos de são Paulo, percorreram os sertões centrais do Brasil e Bartolomeu Bueno, em sua segunda expedição, por volta do ano 1715, retornava para Goiás com o título de Superintendente das Minas e João Leite Ortiz com o de Guarda-mor. Eram as primeiras autoridades, com poder de polícia, oficialmente instituídas nas minas de Goiás que pertenciam à Capitania de São Paulo.
Entretanto, no início de nossa colonização, o Brasil não conheceu uma organização policial. O poder estava nas mãos dos governantes locais, incluindo as atribuições concernentes à polícia. Sucederam-se inúmeras alterações político-sociais e finalmente com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808, na qualidade de Príncipe Regente, com o Alvará de 10 de maio de 1808, foi criado a Intendência Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil.
A criação da Intendência seria, então, uma referência de marco da criação da polícia civil no Brasil, o que justifica a frase POLÍCIA CIVIL: 200 ANOS A SERVIÇO DA SOCIEDADE, usada em modelos de impressos gerados em muitas delegacias de nosso estado.
Posteriormente, o surgimento do cargo de Chefe de Polícia, através da Lei Imperial de 29 de Novembro de 1832, contribuiu decisivamente para a estruturação da organização policial até que, através da Lei nº. 261, de 03 de Dezembro de 1841, criou-se a Secretaria de Polícia, um dos marcos mais importantes dentro deste processo de estruturação. Logo em seguida, em 31 de janeiro de 1842, o Regulamento nº 120 consolidaria a Lei 261, através da regulamentação e estabelecia na província uma estrutura policial que se desenhava de forma organizada em polícia administrativa e polícia judiciária.
Após análises de todas as provas documentais, os membros da comissão chegaram ao consenso de que a Lei 185 de 5 de agosto de 1898, que dispõe sobre a organização do serviço policial, é o marco da Organização da Polícia Civil do Estado de Goiás, pois esta lei confirma que permaneciam em vigor as leis nº 261, de 03 de dezembro de 1841, lei nº 2032, de 20 de setembro de 1871, os regulamentos nºs 120, de 31 de janeiro de 1842, 4.824, de 22 de novembro de 1871, dentre outras disposições legislativas e regulamentares do antigo regime, pertinentes à polícia e que não fossem contrários à lei em questão.
Esta vertente contabiliza à Polícia Civil de Goiás o total de 112 anos e fundação. Importante abrir parênteses e esclarecer que este marco de organização é diferente do marco de origem. É inegável que a Polícia Civil estava historicamente presente nas estruturas anteriores, no entanto, essa nova organização, que é um referencial, marcou o surgimento de uma estrutura que, apesar de não utilizar ainda a denominação “Polícia Civil”, passou a representar a Instituição de forma mais evidente. Durante todo o processo de mudanças, a Polícia Civil de Goiás alterou seu organograma muitas vezes e passou por várias reestruturações até atingir o perfil que hoje se conhece.
Comungo com o deputado Federal Leandro Vilela quando afirma que “A Policia Civil é instituição que muito orgulha a todos pelos relevantes serviços prestados em favor da Segurança Pública” e anseio pelo momento que, vencidos os entraves técnicos e as dificuldades naturais de publicação, não obstante a boa vontade do Delegado-Geral de Polícia Civil, Dr. Aredes Correia Pires, a pesquisa venha a lume em forma de livro e preencha a inquestionável lacuna existente no que tange a divulgação de uma história de tamanha importância.

Matéria publicada no Jornal Diário da Manhã - Edição nº 8249 de 12/06/2010
http://www.dmdigital.com.br/index.php?edicao=8249

sábado, 29 de maio de 2010

De quantos orgasmos uma mulher precisa?

Depende. Existe aquele momento em que a mulher está com o desejo de sentir um orgasmo e, quando o alcança, experimenta uma das mais sublimes sensações da vida.
Isso pode fazê-la sentir-se desejada, amada e com sua feminilidade contemplada no mais alto grau. Existem outros momentos em que a mulher não está nem um pouco a fim de ter um orgasmo, ainda que esteja disposta para o sexo. Mesmo assim, de igual modo, poderá experimentar e sentir o prazer na sua plenitude. Não é uma questão de desempenho. Trata-se muito mais de relacionamento a dois. Nestes dias a mulher irá compartilhar do desejo e do prazer de seu parceiro, e o fato de ser desejada, tocada, possuída é tudo que ela precisa.
Algumas mulheres, por sua vez, são capazes de ter múltiplos orgasmos e poderão viver nessa experiência uma avalanche de sensações e sentimentos, se sentido completas, arrebatadas. Para estas, vale a orientação de tirarem proveito e não pensarem que o dia em que não tiverem vários orgasmos o sexo terá sido de menor qualidade. È melhor fazer a opção de um orgasmo bem vivido ao invés de insistir sempre na quantidade.
O que pode acontecer é tornar-se refém, como se em todas as relações o prazer estivesse centrado na tarefa de alcançar vários orgasmos. A mulher é inteiramente responsável por seus orgasmos e deverá orientar seu parceiro sobre como levá-la ao máximo prazer.
Um comportamento que pode limitar o prazer é a preocupação de se ter orgasmos simultâneos, como se isso fosse um padrão de desempenho sexual. Qualquer tipo de pressão nesta hora limita o prazer.
Para os homens a grande dica é: “Primeiro as damas.”.


Mitos e Verdades
Mito: Se um homem ama uma mulher, ele saberá exatamente o que fazer para dar a ela o máximo prazer sexual.
Verdade: A mulher é responsável pelo seu próprio prazer e deverá orientar seu parceiro sobre o que fazer, como fazer e quando fazer para que ela alcance a plenitude sexual.

Ailton Bastos, psicanalista
Folha de Londrina, quinta-feira, 10 de julho de 2008.

Coluna Sexo & Comportamento

http://ailtonbastos.com.br/?p=180

segunda-feira, 19 de abril de 2010

SONIANDO COM SÔNIA

Soniando, livro de crônicas da escritora Sonia Ferreira, um dos lançamentos da Coleção Prosa e Verso, é uma deliciosa provocação instigada a partir do título.
A ação contínua sugerida pelo gerúndio e a musicalidade emanada dessa sugestão, aspectos bem pontuados no prefacio por Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado, meu professor por curto período, mas salutar, na Faculdade de Letras da UFG, evocam com beleza e criatividade a idéia de viagem/sonho tanto em sentido literal quanto poético, como se vê já de início em A poesia e o trem de ferro, crônica que sinaliza aos que não viram nem viveram a realidade da “Maria Fumaça”, hoje apenas um memorial decrépito, mas que outrora, “estrada de ferro” afora, fez história no sertão e Goiás.
Bento, falando de Sônia no contexto sugerido pelo título do livro, diz: Sônia Ferreira não é mais Sônia, como um prolongamento de sua alegria e de sua contagiante energia e entusiasmo pela vida. Ela se torna ação que se alonga e que ainda é continuada. Deixa de ser nome e se torna uma forma nominal, um gerúndio importante, a nos lembrar que o mundo não é, mas estará sendo.
Destarte, Soniar nesse “trem” poético é usufruir dos privilégios de um passaporte que dá direito a visitar Brasília com cheiro e gosto de quintal, cidade que nem de longe lembra Arruda ou qualquer erva daninha dos dias atuais; é sentar-se sob a sombra da Moreira da Rua 24 e ouvir suas histórias e revelações de uma Goiânia que já dista no calendário e que hoje nos atropela; é assistir na Academia Goiana de Letras a posse do acadêmico Emílio Vieira das Neves, “estrela de Março, ano 2009”; é cumprimentar Bariani Hortêncio, cuja casa e vida, é um centro de cultura, aberto a todas as gerações de pesquisadores e produtores culturais de diversos cantos do Brasil e do mundo; é desvendar os “segredos do Bairro Popular de Goiânia” e, entre uma parada e outra, perceber que de alguma forma, todos nós, seja pelo que vimos ou vivemos, temos um centro cultural em nós ou em nossa casa.
A beleza nos textos de Sonia é mostra de que o artista, qualquer que seja sua área, precisa estar “antenado” com o que se acontece a sua volta ou ao alcance de seu conhecimento.
A sensibilidade artística é fundamental para que “as coisas” que passam despercebidas da maioria das pessoas sejam captadas pelo artista, o qual se incube de transformá-las em matéria-arte, seja ela de denúncia, encantamento ou simplesmente revelação. E isso ocorre em vários momentos do livro, dentre os quais cito a crônica Dentro dos Olhos Verdes de Ivana. Neste texto, Sônia é capaz de revelar a dor de se ter um ente querido internado na UTI de um Hospital e ao mesmo tempo, no mesmo recado, salientar a importância terapêutica da música, seja ela extraída de um piano instalado dentro dessa mesma casa de saúde ou do canto dos pássaros que vivem ali ao lado, no Bosque Areião, de onde, Ao nascer e ao por do sol, [...] em sinfonia tentam suavizar o silêncio das dores, escondidas numa grande caixa misteriosa, ao lado do parque. Cantam às janelas de um hospital, onde homens e mulheres de branco são cuidadores da vida e reverenciam a dignidade humana: Hospital Lúcio Rebelo. Em um de seus espaços interiores, há um piano, à espera de chuviscar notas musicais na sensibilidade dos pacientes, que possam se locomover até o pianista. (p. 79)
Assim é Sonia, sensibilidade e compromisso na tessitura de sua sinfonia com as palavras, trazendo à tona, lembranças para uns, informações para outros. Mais que isso não digo. Quem quiser saber mais, que vá Soniando.




Ferreira, Sônia. Soniando – Goiânia:Kelps, 2009.

sábado, 10 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Da janela virtual de minha casa, em Aparecida de Goiânia, para a Quinta Avenida, Nova York


Da janela virtual de minha casa, em Aparecida de Goiânia, assisti, no último dia 03 de abril, sábado, ao mais recente lançamento da Apple, isto é, o lançamento do pré-anunciado iPAD que, de forma simplista pode ser definido como um tablet desenhado para navegar na rede, reproduzir jogos e vídeos além de ler livros digitais.



Primeiramente eu não sabia o que era aquilo – iPAD – já que os conhecidos iPOD e iPHONE ainda cheiravam a novo em meu vocabulário. Entretanto, todos os sites e blogs voltados para área de tecnologia anunciavam que desde o dia 30/03, isto é, quase uma semana antes, já se iniciava o alvoroço em torno do anúncio da novidade e não tardou a formação de filas de pessoas em frente a Apple Retail Store da Fifth Avenue, em Nova York. E olhe só, o mesmo cara, Greg Packer, que em 2007 ficou três dias plantado em frente a loja só pra ser o primeirinho da fila a por as mãos no Iphone, lançamento da época, repetiu a dose e conseguiu o feito de ser o primeiro no mundo a comprar o seu iPad.


Assim, na sexta feira, dia 02, véspera do lançamento, a fila já era enorme e os “aficionados” levaram cadeiras e notebooks para passar o tempo até que chegasse as 09:00h de sábado, horário marcado e divulgado para o lançamento, ocorrido exclusivamente nos Estados Unidos.


Daqui de minha janela, vendo aquele burburinho, fiquei pensando nas semelhanças. Cá nos meus brasis, também tem esse negócio de ser “aficionado” por alguma coisa e fazer fila para se conseguir ser o “primeirinho”, ou, na maioria dos casos, pelo menos ser um dos vencedores.


Veja bem, basta pipocar o anúncio de alguma ação comunitária, na qual se divulgue serviços jurídicos, médicos ou sociais gratuitos e um bando de “aficionados” formam longas filas no intuito de lograr êxito em se conseguir o que, em tese, deveria ser facultado, sem dificuldade, a todos os cidadãos, trabalhadores, pagadores de impostos. Fora dos mutirões movidos a holofotes também é fácil de se ver “aficionados” em consultas médicas, sobretudo com especialistas. Basta uma passadinha nas “casas de saúde” públicas, para se ver longas filas de pessoas ávidas por conseguir uma senha de atendimento médico. E esse privilégio de esperar sem direito a desesperar não está mais restrito aos pacientes que dependem exclusivamente do SUS, pois os segurados do IPASGO já figuram em listas de espera para se conseguir procedimentos, até então, considerados simples.


Para os que acham que a estratégia de marketing da Apple é sucesso mundial, o que diriam ao verem a fila de “aficionados” que se forma em frente ao Restaurante Cidadão da avenida Goiás no horário de almoço; ali todos estão interessados não em ser o “primeirinho”, mas, pelo menos em conseguir um lugarzinho dentre aqueles que não irão trabalhar o resto do dia de barriga vazia. Aí Pode!?

terça-feira, 9 de março de 2010

SÓ UM LEMBRETE DO QUINTANA







'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.'

Mário Quintana

04 de janeiro de 2025